A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul ouve, nesta quinta-feira (14), três depoimentos relacionados ao sistema de Gerenciamento de Informações em Saúde (Gisa) em Campo Grande.
Serão ouvidas, a partir das 14h (de MS), no plenário Júlio Maia, a ex-presidente da Comissão de Licitações da prefeitura, Mara Iza Arteman, a chefe da Divisão de Convênios do Fundo Nacional de Saúde, Silvia Raquel Bambokian, e a ex-coordenadora do Grupo Gestor do Projeto de Desenvolvimento e Implantação do sistema de Gestão Integrada da Saúde, Maria Cristina Abrão Nachif.
O presidente da CPI, deputado estadual Amarildo Cruz (PT), disse que a convocação das três pessoas foi definida por conta da necessidade de confrontar informações e depoimentos relacionados ao processo licitatório do contrato do Gisa.
Contratado em 2008 pela prefeitura de Campo Grande, o sistema serve para marcar consultas nos postos de saúde por telefone, agilizar consultas e exames, além de informatizar toda a rede pública de saúde. Segundo a assessoria da CPI, o Gisa, que foi orçado em quase R$ 10 milhões, deveria ter sido concluído em um ano, mas até dezembro de 2012, 95,4% da implantação física tinha sido realizada e 96% do projeto foi pago, o equivalente a R$ 9,8 milhões.
O sistema possui 12 módulos, mas apenas quatro deles estariam em funcionamento, inclusive de forma precária. Em setembro, o responsável pela empresa que implantou o Gisa, Naim Alfredo Beydoun, declarou à CPI que o sistema está todo implantado e que precisaria de apenas alguns ajustes para operar com capacidade total.
Prorrogação
A CPI prorrogou o prazo para entrega do relatório para o dia 23 de novembro. Desde maio, a comissão investiga irregularidades nos repasses dos recursos do Sistema Único de Saúde (SUS) para hospitais de 11 municípios.
A comissão é composta pelos deputados estaduais Amarildo Cruz (PT) - presidente, Lauro Davi (PSB) - vice-presidente, Junior Mochi (PMDB) - relator, Eduardo Rocha (PMDB) e Onevan de Matos (PSDB). O grupo investiga irregularidades nos repasses dos recursos do SUS para hospitais de Campo Grande, Corumbá, Paranaíba, Dourados, Três Lagoas, Jardim, Coxim, Aquidauana, Nova Andradina, Ponta Porã e Naviraí feitos nos últimos cinco anos.
Entre os ouvidos pela comissão estão a ex-secretária de Saúde de Mato Grosso do Sul, Beatriz Dobashi, o secretário de Saúde de Campo Grande, Ivandro Fonseca, o presidente da Santa Casa da capital, Wilson Teslenco, o ex-diretor do Hospital Universitário, José Carlos Dorsa, o ex-diretor do Hospital Regional de Campo Grande, Ronaldo Perches Queiroz, os médicos Adalberto Siufi e Cláudio Wanderley Saab, ex-diretores do Hospital do Câncer, e os ex-secretários de Saúde de Campo Grande, Leandro Mazina e Luiz Henrique Mandetta.
Também foram ouvidos gestores e conselheiros municipais de Saúde dos municípios que fazem parte da investigação, como o diretor-geral do Hospital Universitário de Dourados, Edson Desiderio Fernandes.