O Instituto Mirim de Campo Grande rescindiu R$ 160 mil por mês em “contratos supérfluos”. A economia do recurso, antes destinado a serviços de informática e manutenção predial, será direcionada a alimentação de 2.088 adolescentes atendidos em duas unidades, conforme divulga o jornal Correio do Estado.
Para a primeira dama e presidente da entidade, Andreia Olarte, os contratos rescindidos eram “fictícios, supérfluos e de falcatruas da gestão anterior”, nomeada pelo ex-prefeito Alcides Bernal (PP) e atualmente sob investigação do MPE (Ministério Público Estadual).
As acusações da primeira-dama, inclusive, são alvo de inquérito da 30ª Promotoria de Justiça do Patrimônio Público de Campo Grande. Dentre os contratos cancelados estão o das empresas IT Solutions e Ademir de Jesus Antunes ME. Ambas recebiam de forma mensal, respectivamente, R$ 43 mil e R$ 10.495 para implantar sistema de gestão interna e prestar suporte de informática. Porém, os mesmos serviços estavam disponíveis sem custo pelo Instituto de Tecnologia da Informação (IMTI).
A reforma das unidades Horto Florestal e Carandá Bosque, no ano passado, também apresentou suspeita por pagar R$ 700,6 mil a empresa RL Terraplanagem e Construções Ltda. Isso que na manutenção dos prédios, cedidos pela Prefeitura de Campo Grande, ainda eram gastos mensalmente R$ 23.950 e outros R$ 1,7 mil para limpeza de ar condicionado.
“Revisamos e encerramos os contratos sem necessidade. A economia aplicaremos na alimentação de todos os mirins, que antes ocorria de forma parcial e teve, inclusive, redução de custo de R$ 150 mil para R$ 80 mil ao comprarmos os itens no atacado”, pontuou a diretora executiva da entidade, Lúcia Elizabete Devecchi.
Pós-crise
Criado em 1982, o Instituto Mirim passa por reorganização depois de crise administrativa marcada por impasse político, greve de professores e atraso em repasses do município.
Os problemas tiveram início depois da posse de Gilmar Olarte (PP), momento em que se constatou que a diretoria da entidade era vinculada ao ex-prefeito Alcides Bernal (PP). Estes, no entanto, se beneficiavam de mudança no estatuto que cinco anos converteu a estrutura em Organização Não-Governamental (ONG).
Em dezembro de 2014, Olarte exigiu a renúncia da diretoria e ameaçou cancelar convênio de R$ 530.629,41 mensais destinados ao pagamento de mirins, encargos trabalhistas e custos operacionais. A questão precisou de intervenção do Ministério Público e só foi resolvida com nova alteração do estatuto em abril deste ano.
Nesta sexta-feira (31), cerca de 400 adolescentes passaram a fazer parte de grupo de mil adolescentes que passam por qualificação profissional e outros 1.088 já estão inseridos no mercado de trabalho.