O Ministério da Justiça vai enviar a Força Nacional ao município de Caarapó, em Mato Grosso do Sul, para “reforçar a segurança pública” após o assassinato de um indígena Guarani-Kaiowá na manhã de terça-feira (14), conforme anunciou o ministro Alexandre de Moraes após conversa com o governador do estado, Reinaldo Azambuja (PSDB), que pediu o apoio da Força Nacional.
“Moraes acompanhou com atenção o problema desde ontem, quando determinou rigorosa apuração dos fatos. A Força Nacional irá auxiliar as polícias Militar, Federal e Rodoviária Federal, a fim de restabelecer a ordem pública e preservar a incolumidade das pessoas e do patrimônio. Atualmente, a Força já atua no Mato Grosso do Sul, na cidade de Ponta Porã, em apoio às ações de combate aos crimes fronteiriços”, informou o ministério em nota.
Na contramão das notícias divulgadas sobre a morte do indígena após uma ação de fazendeiros, o Sindicato Rural de Caarapó, divulgou nota em que diz “desconhecer” o ataque e a consequente morte do Guarani-Kaiowá e agente de saúde indígena Cloudione Rodrigues Souza, de 26 anos.
“O Sindicato Rural desconhece que houve conflito entre indígenas e produtores rurais em Caarapó nesta terça-feira (14). Não tem conhecimento também de que o 'conflito' deixou o saldo de um índio morto e cinco vítimas internadas como sendo vítimas de produtores”, disse na nota
A entidade diz que foi contatada pelo proprietário da Fazenda Yvu, Nelson Buanin, no domingo (12) e que o fazendeiro, segundo o sindicato, pediu ajuda de produtores da região para “inibir a presença dos poucos índios que haviam na fazenda”. O sindicato alega que não foi comunicado sobre disparos de arma de fogo e que tomou conhecimento apenas do uso de fogos e bombas para dispersar os indígenas “com medo de retaliação ou reação” por parte destes.
Os Guarani-Kaiowá ocupavam desde o último domingo o território chamado de Toropaso, dentro da fazenda Yvu. Esse território, reivindicado pelos indígenas, foi identificado pela Funai (Fundação Nacional do Índio) em maio como terra indígena, mas ainda não teve a demarcação confirmada.
O Cimi (Conselho Indigenista Missionário) e o Isa (Instituto Socioambiental) confirmaram o ataque e a morte de Cloudione com base em relatos de indígenas. De acordo com informações obtidas pelas duas entidades, os fazendeiros se aproximaram com caminhonetes, motocicletas e um trator e efetuaram os disparos, matando o agente de saúde indígena e ferindo outros, conforme reproduz notícia divulgada pela Agência Brasil.