As declarações de Von Trier ultrajaram grupos judaicos e levaram a atriz norte-americana Kirsten Dunst a demonstrar constrangimento por estar ao lado dele em uma coletiva de imprensa, na quarta-feira, em que o cineasta se lançou em um monólogo bizarro sobre sua ascendência judia e alemã.
O diretor de 55 anos, antes um dos queridinhos de Cannes, tendo recebido a Palma de Ouro em 2000, apressou-se a pedir desculpas, mas foi pouco e tarde demais.
"O conselho de diretores condena inequivocamente essas declarações e declara Lars von Trier 'persona non grata' no Festival de Cannes. Isto entra em vigor imediatamente", disseram os organizadores em comunicado à imprensa na quinta-feira.
O Grupo Americano de Sobreviventes do Holocausto e Seus Descendentes, que se queixou logo depois que as observações de Von Trier foram divulgadas, saudou a decisão de Cannes de expulsar o cineasta.
"Os organizadores do Festival de Cinema de Cannes assumiram uma posição moral resoluta contra expressões arrogantes de ódio e insensibilidade perante os brutalizados pelos nazistas, judeus e não judeus", disse o vice-presidente do grupo, Elan Steinberg.
"Não podemos olhar dentro do coração de Von Trier para avaliar a sinceridade do 'pedido de desculpas' que ele fez. Apenas suas palavras e seus atos futuros nos poderão dizer se ele compreende a dor que provocou."