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Cutura: O órfão

20 de novembro 2015 - 19h01 Por Adail Alencar
Cutura: O órfão

adail alencar

Ele está à margem da vida, e é um pobre renegado. a esperança é sempre revivida, apesar do olhar cansado.

O seu mundo é tão vazio, o seu olhar não tem luz, o seu quarto é tão frio, nele está pendurada uma cruz.

De um Homem que não conseguiu acabar, no mundo a medIocrIdade, por isso está a vegetar, sem saber o que é felicidade.

No seu quarto escuro, Ele está cheio de amargura, o seu passado é o seu futuro, apesar de que nele, há bastante ternura.

O seu sorriso é tão triste, nele reflete a solidão, mas Ele existe, e tem coração.

A sua ternura é sufocada, pelas injustiças do mundo, suas emoções são desprezadas, nele há um desgosto profundo.

Há tanta carência afetiva, no seu coração magoado, ainda há pessoas altivas, que com o seu orgulho, o deixam de lado.

Ele poderia ser um de nós, e não quer saber quem é o culpado, mas quer que ouçam a sua voz, não o deixem desprezado.

Ele tem direito à felicidade, a alguém que lhe dedique atenção, pois não pode viver de saudade, de pais que o prostraram na solidão.

Ele não pode viver sem ideais, sem objetivos, sem sonhos, seus direitos são iguais, não pode viver sempre tristonho.

Ele é sustentado por entidades, que o tenta confortar, mas que não dão a felicidade, que um lar pode dar.

Ele está a cada instante, esperando ser adotado por alguém, sempre renasce a esperança, às vezes distante, de um dia não ser FILHO DE NINGUÉM.

Ele precisa de compreensão, e de ser tratado como gente, quer considerar cada um como irmão, e deixar de ser indiferente.

Se o orfão está à margem da sociedade, se o orfão está relegado a segundo plano, não interessa quem é o dono da verdade, nesse mundo sujo e mundano.

O importante é que seja respeitado, como ser humano, sem nenhum favor, seu sentimento deve ser encarado, não com piedade, mas com muito amor.

(Dourados, uns 30 anos atrás)