Ara-Pyahu será um dos espetáculos em exibição no Teatro Municipal nesta semana — Foto: Divulgação
Começa nesta quarta-feira (22) e prossegue até sábado (25), a mostra “Tape Kurusu – cruzamentos entre a cultura indígena e as artes da cena”, que reúne os espetáculos “Mborahéi Rapére – Pelas trilhas do Canto”, do Grupo Veraju, e “Ara Pyahu – des/caminhos do contar-se”, do Grupo Mandi’o, em Dourados. Os ingressos têm o valor de R$ 20 (inteira) e R$ 10 (antecipado).
Além dos espetáculos, a mostra contará com a oficina “Práticas Corporais e Vocais do Processo Criativo Ara Pyahu” e com a roda de conversa “Processos Criativos da Aldeia ao Palco”, além das exposições “Deslocamentos” e “Culturas Indígenas”. O evento acontecerá no Teatro Municipal de Dourados e no Casulo – Espaço de Cultura e Arte (Rua Reinaldo Bianchi, 398), no Parque Alvorada.
O espetáculo “Mborahéi Rapére – Pelas trilhas do canto” é uma releitura de cantos indígenas, em especial os dos Guarani e Kaiowá, explorando as diversas possibilidades harmônicas, rítmicas, melódicas e cosmológicas, razão pela qual o trabalho cênico-musical se desenvolve também com base em mitos e danças indígenas, considerados tradicionais pelas comunidades.
O projeto surgiu a partir do interesse de artistas, docentes e estudantes em se aproximar da arte indígena local. O encontro e a partilha entre estas pessoas e as comunidades indígenas de Dourados e Douradina resultou em uma criação colaborativa que realiza um diálogo entre a matriz cultural indígena e as linguagens do circo, do teatro e da performance.
O grupo de dança-teatro Mandi´o, dirigido pela artista Carla Ávila, nasce do emaranhado de linguagens entre as artes da cena, o canto e a palavra, o palco e o chão de terra. Mandi´o quer dizer, em guarani, mandioca, tubérculo que nasce profundo na terra, nos subsolos do Mato Grosso do Sul, desenvolve-se e se desdobra dentro do subterrâneo, para brotar verticalmente, anunciando-se.
Cultivada por indígenas há milênios, esta raiz inspirou o nome do grupo pela necessidade que seus integrantes sentem de estar e imergir/emergir na e da terra, conhecer as culturas regionais e suas expressões, e refratar suas texturas em cena. É nesta proposta que o espetáculo de dança-teatro “Ara Pyahu, Des/caminhos do contar-se“ consolidou-se, tendo a vivência a campo, entre Indígenas Kaiowá e Guarani como principal caminho condutor.