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Confundida, médica de Dourados passou dois dias presa na Capital

Ana Paula voltava de férias quando foi detida em Campo Grande

01 de setembro 2026 - 07h33 Por Redação Douranews
Confundida, médica de Dourados passou dois dias presa na Capital Mesmo sem dever, médica ainda usou tornozeleira por 19 dias — Reprodução

Uma médica de Dourados foi presa por engano no Aeroporto Internacional de Campo Grande após ser confundida com outra mulher de mesmo nome envolvida em um processo criminal. Mesmo sem ter participado da ação que motivou a ordem judicial, Ana Paula Nunes dos Santos passou duas noites presa e permaneceu durante 19 dias usando tornozeleira eletrônica até que o erro de identidade fosse comprovado.

O caso ocorreu no dia 4 de agosto, quando a médica douradense retornava de férias em Salvador. Ela desembarcou em Campo Grande acompanhada do marido e da filha de seis meses quando foi abordada por agentes da Polícia Federal.

Segundo relato da própria médica à Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul, desde o início da abordagem ela tentou explicar que havia ocorrido um engano. Ainda assim, foi separada da família e encaminhada à delegacia.

"Eu insisti que era a pessoa errada. Entrei em desespero, porque sabia que não tinha cometido nenhum crime. Fui separada da minha bebê e do meu esposo e levada para a delegacia", relatou ela, conforme reproduz o jornal Correio do Estado, da capital.

Ana Paula permaneceu presa por duas noites. Após passar por audiência de custódia, conseguiu deixar a prisão, mas teve de usar tornozeleira eletrônica. Também recebeu orientação para procurar a Defensoria Pública para esclarecer a situação.

De volta a Dourados, a médica buscou atendimento da Defensoria e acabou descobrindo, que havia outra mulher chamadas Ana Paula Nunes dos Santos relacionadas ao caso, idêntico ao nome dela, envolvendo em denúncias. 

Conforme dados checados pela Defensoria, a médica nasceu em 1999 e possui CPF, filiação e outros dados pessoais diferentes daqueles da mulher que efetivamente havia comparecido ao processo criminal e apresentado defesa.

A análise também apontou que a moradora de Dourados nunca havia sido citada, apresentado defesa ou participado da ação penal. Até ser detida no aeroporto, ela sequer tinha conhecimento da existência do processo ao qual seu nome acabou vinculado.

"O próprio processo mostrava que eram duas pessoas diferentes. A Ana Paula atendida pela Defensoria nunca foi citada e nunca apresentou defesa naquela ação. A comparação dos dados pessoais permitiu identificar que a pessoa que participou do processo era outra mulher com o mesmo nome", disse o defensor público Lucas Colares Pimentel.

Para a médica, a descoberta trouxe alívio depois dos dias de incerteza iniciados ainda no aeroporto.

"Quando fui atendida na Defensoria de Dourados, senti um alívio. Eles abriram o processo, verificaram minha identificação e perceberam que se tratava de outra pessoa. Até então, eu estava angustiada por pagar por algo que não fiz", afirmou a profissional.