Paulo Roberto Teixeira morreu sábado em São Paulo — Reprodução
O corpo do médico Paulo Roberto Teixeira, de 77 anos, foi cremado no meio da tarde deste domingo (20), após o sanitarista ter falecido no sábado (19), em São Paulo. Familiares e amigos participaram da cerimônia de despedidas ao médico, nascido em Alvares Machado, no interior paulista, porém, criado em Dourados, onde a família possuía nos anos 60 uma loja de aviamentos, no centro da cidade.
Teixeira teve participação marcante na construção das políticas de enfrentamento ao HIV e à Aids no Brasil. O Ministério da Saúde lamentou o falecimento e destacou a trajetória do profissional na saúde pública brasileira. A causa da morte não foi divulgada.
Segundo o ministério, sua atuação contribuiu para fortalecer o Sistema Único de Saúde (SUS) e garantir a milhares de pessoas acesso ao cuidado e aos medicamentos antirretrovirais. “Paulo foi uma espécie de Mensageiro da Esperança quando a epidemia cruel e devastadora ceifava vidas“, disse o amigo Rubens de Oliveira Duda, presidente da Sociedade Padre Costanzo Dalbesio [entidade nacional pioneira no acolhimento às pessoas com DST/Aids], presente na despedida do profissional.
De acordo com a Agência Brasil, em 2000, quando esteve à frente do Programa Nacional de DST/Aids do Ministério da Saúde, Teixeira passou a denunciar que os preços dos medicamentos eram inviáveis para a manutenção do acesso universal ao tratamento de Aids pelo SUS e passou a defender a quebra de patentes dos laboratórios farmacêuticos.
A nova Lei de Patentes brasileira, aprovada em 1996, permitiu que se limitasse o acesso à saúde e organizou um programa internacional de transferência de tecnologia entre países do Sul global para a produção de antirretrovirais genéricos. Esse movimento foi fundamental para que, em 2001, a Organização Mundial do Comércio (OMC) reconhecesse que o direito à saúde está acima das regras de propriedade intelectual e fortaleceu a luta dos países pobres pelo direito de acesso ao tratamento.
Ele também esteve à frente dos programas estadual e nacional de HIV/Aids e atuou internacionalmente na Organização Mundial da Saúde (OMS), ong que também destacou a abordagem defendida por Teixeira, pautada na ciência, no respeito e na garantia de direitos.
Família e legado
Paulo Roberto Teixeira era filho do casal Paulo e Carmem Teixeira e teve mais três irmãos: José Roberto Teixeira, morto em acidente na esquina do local onde hoje existe o parque Antenor Martins (o parque do lago) e que dá nome à principal avenida do Jardim Flórida/ José Paulo Teixeira, advogado que chefiou importantes setores da Prefeitura nos anos 70 e 80, morto em Bonito; e Plínio Gastão Teixeira.
A capacidade de antecipar desafios e propor soluções inovadoras do médico sanitarista permitiu que São Paulo se tornasse uma referência nacional e internacional no enfrentamento do HIV/Aids, influenciando decisivamente a formulação das políticas públicas que transformaram a história da epidemia no país.
Seu legado está presente na consolidação do Centro de Referência e Treinamento DST/ AIDS, instituição responsável pela Coordenação do programa estadual de IST/ AIDS de São Paulo e referencia nacional no tema, no fortalecimento das ações de prevenção e assistência e na defesa intransigente da dignidade das pessoas que vivem com HIV.