Operação MUTE acontece nesta quarta-feira na PED — Divulgação
A Polícia Penal de Mato Grosso do Sul intensificou, nesta semana, as ações de combate à atuação de organizações criminosas em unidades prisionais. Nesta quarta-feira (23), policiais penais realizam operação pente-fino na PED, a Penitenciária Estadual de Dourados, envlvendo as equipes operacionais, de inteligência e tecnologia para identificar vulnerabilidades e retirar materiais proibidos do ambiente prisional.
Os trabalhos na maior penitenciária de Mato Grosso do Sul integram mais uma fase da Operação MUTE, promovida pela Senappen (Secretaria Nacional de Políticas Penais) em todo o país, voltada ao enfrentamento das comunicações ilícitas nos presídios, dentro de uma mobilização integrada em diferentes estados.
Na PED, participam policiais penais da própria unidade, equipes do Comando de Operações Penitenciárias (COPE) e da Gerência de Inteligência do Sistema Penitenciário (GISP), sob coordenação da Diretoria-Geral da Polícia Penal e da Diretoria de Operações da Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário). A operação conta, ainda, com a atuação da Força Penal Nacional (FPN).
Além da Penitenciária de Dourados, nesta fase, também foi realizado pente-fino no Estabelecimento Penal Masculino de Coxim, levando a fiscalização a diferentes regiões do Estado.
A MUTE amplia o uso de recursos tecnológicos na rotina de segurança penitenciária. Entre os equipamentos empregados estão georradares e kits de varredura, que aumentam a capacidade de identificação de possíveis materiais e pontos de vulnerabilidade nas estruturas prisionais.
69 operações em 2026
A ação realizada em Dourados e os trabalhos desenvolvidos em Coxim nesta semana fazem parte de uma rotina permanente de fiscalização mantida pela Polícia Penal em Mato Grosso do Sul, segundo a assessoria da Agepen. Somente neste ano, com a operação em andamento na PED, já são 69 grandes operações de revista e fiscalização em estabelecimentos prisionais do estado, além das inspeções realizadas regularmente pelas equipes.
Os procedimentos são planejados a partir de informações operacionais e de inteligência e abrangem celas, galerias e áreas de segurança. Essas fiscalizações permitem detectar vulnerabilidades, retirar materiais proibidos e aperfeiçoar continuamente os mecanismos de controle das unidades.
A estratégia também é preventiva. Informações produzidas pelas equipes de inteligência orientam a definição de locais, momentos e métodos empregados nas operações, permitindo direcionar os recursos disponíveis de acordo com as necessidades identificadas.
Tecnologia contra a comunicação ilícita
Uma das ferramentas incorporadas à estratégia de segurança é a tecnologia de detecção de sinais de telefonia móvel utilizada na Operação Modo Avião, realizada no estado entre os dias 8 e 18 deste mês. Em 2026, a Modo Avião já foi realizada em 16 estabelecimentos penais de Mato Grosso do Sul, com equipamentos capazes de detectar sinais de telefonia móvel em um raio de até 100 metros. A partir dessas informações, os policiais penais conseguem estabelecer pontos prioritários para fiscalização.
O recurso tecnológico complementa as revistas e o trabalho de inteligência, permitindo direcionar as equipes para locais que apresentem indícios de comunicação por meio de aparelhos celulares.
Inteligência orienta atuação
De acordo com o diretor-presidente da Agepen, Rodrigo Rossi Maiorchini, o emprego de tecnologia não substitui a atuação dos policiais penais. Ao contrário, os dados obtidos pelos equipamentos contribuem para tornar as ações de segurança mais precisas e direcionadas.
“Esse modelo combina monitoramento, análise de informações, planejamento operacional e presença dos policiais penais nas unidades, permitindo identificar possíveis vulnerabilidades e atuar de forma preventiva”, comenta.
Conforme o dirigente, em Mato Grosso do Sul, a Operação MUTE integra uma estrutura de segurança que mantém ações de revista, inteligência e fiscalização de forma contínua nas unidades prisionais.
“Com a combinação de experiência operacional, inteligência e tecnologia, a Polícia Penal amplia sua capacidade de prevenção, identificação de vulnerabilidades e resposta às tentativas de utilização do sistema prisional para atividades criminosas”, finaliza.