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Alan Guedes passa vergonha em audiência e projeto da Coronel Ponciano será modificado

14 de agosto 2021 - 22h44 Por Redação Douranews
Alan Guedes passa vergonha em audiência e projeto da Coronel Ponciano será modificado Prospecto de como vai ficar nova Coronel Ponciano nas imediações do Detran, exibido em telão durante audiência — Reprodução

Falhas na elaboração do projeto, levantamento estatístico fora da realidade e omissão de informações aos principais interessados na questão, os empresários que ocupam as margens da rua Coronel Ponciano, devem provocar o atraso na publicação oficial do edital de licitação para contratação da obra de duplicação e revitalização do trecho onde o Governo do Estado vai investir mais de R$ 18 milhões, e cuja ordem de serviço o secretário de Infraestrutura, Eduardo Riedel, pensava em liberar ainda este ano em Dourados.

Toda essa trapalhada aconteceu porque a Prefeitura, encarregada da execução do projeto técnico, preferiu optar pela ‘letra fria’, como se tratam as relações comerciais, para apresentar, de maneira quase ufanista, em audiência pública patrocinada pelo deputado estadual Marçal Filho (PSDB) ao prefeito Alan Guedes (PP) e convidados, que reuniu pouco mais de 100 pessoas por cerca de três horas na noite de sexta-feira (13), na Câmara de Vereadores, como ficará a ‘nova Ponciano’.

O projeto, assumido há dois anos pelo governador Reinaldo Azambuja, ‘como bandeira unânime’ da instalação do Governo Presente em Dourados como definiu o secretário Riedel que se deslocou da Capital no final da tarde de sexta para reiterar a proposta do Estado de executar a obra, com base em projeto técnico sob a responsabilidade do Município, ainda está previsto para começar dentro de 90 dias. “Vai depender da Prefeitura”, resumiu o secretário estadual de Infraestrutura, diante das alterações necessárias para readequação à realidade local.

audiencia ponciano

Riedel, com o patrocinador da audiência, deputado Marçal e Alan Guedes tomando café

Logo no início da audiência pública patrocinada pelo deputado Marçal, prestigiada ainda pelos colegas dele na Assembleia, deputados Barbosinha (DEM) e Renato Câmara (MDB), além de vereadores e secretários municipais e dezenas de empresários estabelecidos ao longo da via, o secretário Romualdo Diniz (Planejamento e Serviços Urbanos), da Prefeitura, disse que a obra é um desafio “porque o douradense ainda não aprendeu a pensar como cidade grande, não quer abrir mãos das ‘facilidades’ de viver em ‘cidade pequena’”.

Técnicos da Secretaria se esforçaram para justificar o que chamaram de “projeto baseado em diretrizes viárias e de acessibilidade”, com exibição de slides e de um vídeo curto de como vai ficar a Coronel Ponciano após essa intervenção. O enviado do governador gostou da ideia, se comprometeu a encaminhar a papelada para licitação em 10 dias e a voltar a Dourados antes do final do ano para expedir a OS (Ordem de Serviço) da obra, explicando ainda a articulação com a CCR MSVia, concessionária da BR 163, que ficará responsável pela implantação do viaduto no cruzamento com o início da MS 156, que demanda ao Distrito Industrial da cidade.

FALTOU TRANSPARÊNCIA

Riedel, entretanto, e os demais presentes, especialmente o prefeito Alan Guedes, não contavam com a manifestação de repúdio apresentada pelo representante dos comerciantes no evento, o empresário Salim Raidan, estabelecido na Coronel Ponciano, imediações com a rua Palmeiras, em cujo trecho sê prevê a recuperação do pavimento asfáltico com implantação de nova sinalização e uma ciclofaixa até a avenida Marcelino Pires. “Se antes a via era conhecida como rua da morte, agora vocês estão sepultando de uma vez com o comércio da rua”, proclamou Salim, provocando um misto de exaltação dos colegas empresários que foram à audiência e de espanto, misturado com vergonha, na equipe encarregada pelo prefeito de elaborar o projeto para ser submetido ao Governo.

salim ponciano

Salim Raidan: projeto sem ouvir o segmento 'sepulta' atividade comercial da rua

O secretário estadual de Infraestrutura ainda tentou ‘salvar’ o prefeito, afirmando que mesmo depois de licitada, a obra poderá sofrer as modificações reclamadas pelos comerciantes da rua, mas, novamente, o porta-voz de Alan Guedes na audiência pública, o secretário Romualdo, sentenciou: “podemos tentar alinhar uma mudança, que não vai ser a ideal nem pra um lado e nem pro outro”. Ao prefeito restou tentar ‘carimbar’ a falta de diálogo e transparência na apresentação dos detalhes da obra e o excesso de preciosismo da equipe de Romualdo com uma justificativa: “tudo isso começou lá com a prefeita Délia, nós estamos trabalhando para aperfeiçoar”.

A NOVA PONCIANO

A duplicação da via prevê intervenção com nova urbanização e canteiro central alargado no trecho entre a BR 163 até a rua Palmeiras, imediações do cemitério municipal, de aproximadamente 2,7km e da rua Palmeiras até a avenida Marcelino Pires, no percurso aproximado de 1,5km, a revitalização com ciclofaixa, “pois não há espaço para duas pistas”, como constataram os projetistas da Prefeitura. Sem vaga para estacionamento e com a ciclofaixa na porta das lojas, “onde vamos descarregar as mercadorias e receber o cliente”, questionaram os presentes. A audiência foi encerrada sem resposta.