O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) instaurou procedimento administrativo para fiscalizar as providências da Câmara de Dourados em relação às obras de reforma e ampliação do prédio, que estão sob suspeita de irregularidades desde 2024. A medida decorre da apresentação, pela Casa Legislativa, de relatório de auditoria e parecer jurídico sobre a situação do empreendimento.
A documentação avaliada pela 16ª Promotoria de Justiça de Dourados foi recebida no escopo de inquérito civil que investiga a obra. Diante do material recebido, o Promotor de Justiça Luiz Eduardo de Souza Sant’Anna Pinheiro optou por abrir um procedimento específico para acompanhar as decisões da Câmara.
O parecer jurídico anexado ao inquérito recomenda a instauração de processo administrativo disciplinar para apurar a conduta do fiscal e do gestor do contrato, que teriam sido omissos na supervisão de intervenções críticas, como o reforço de pilares e fundações feitos sem projeto executivo ou memória de cálculo.
Pelo documento, existe a necessidade também de quantificar o dano ao erário para buscar o ressarcimento integral e acionar as garantias contratuais.
Já a auditoria feita a pedido da Câmara de Vereadores revelou que a obra apresenta apenas 23,9% de execução física, enquanto o esperado era superior a 64%, gerando prejuízos aos cofres públicos pelos gastos a mais impostos pelo atraso e por inadequações. Entre as deficiências está a ausência do Plano de Prevenção e Proteção Contra Incêndio (PPCI), essencial para locais públicos.
Inquérito
Além dos problemas estruturais, o inquérito aberto em 2024 recai sobre o equilíbrio econômico-financeiro do contrato, que inicialmente previa um investimento de R$ 17 milhões. O MPMS busca identificar se as deficiências apresentadas foram utilizadas para justificar possíveis aditivos contratuais, configurando um possível dano ao patrimônio público, que exige o ressarcimento integral dos valores aplicados de forma irregular, caso confirmado.
Para continuidade dos trabalhos, ofício enviado nesta semana pela 16ª Promotoria de Justiça estabelece o prazo de 30 dias para que a Mesa Diretora apresente a decisão fundamentada sobre o destino da obra, seja pela continuidade, rescisão de contrato ou nova licitação.
Outra providência foi a fixação do prazo de 15 dias para indicação das medidas adotadas para a regularização documental da edificação, como por exemplo, a formalização de aditivos que foram feitos de forma imprópria, a apresentação de projetos de segurança e acessibilidade e o estudo de viabilidade orçamentária para as adaptações necessárias.
Foi solicitado, ainda, que a Controladoria Interna da Câmara se manifeste sobre as conclusões de auditorias e pareceres jurídicos anteriores que compõem o processo administrativo. À Presidência, foi pedida a listagem completa de todos os envolvidos no contrato, seus papéis e períodos de atuação, serviços executados e prejuízos com a paralisação, incluindo gastos com aluguel de imóvel temporário.
Por fim, foi requerido auxílio do Departamento Especial de Apoio às Atividades de Execução do MPMS (Daex), para as diligências necessárias.


Obra da 'nova' Câmara segue envolvida em polêmica - (Foto: Douranews)




