Para o consultor de habitação da Caixa Econômica Federal Fernando Magesty, existe uma preocupação do mercado com a redução dos recursos da poupança, mas o cenário atual é fruto apenas de um fato isolado: a fuga da poupança.
"A demanda por financiamento sempre foi maior que a oferta. Mas quando a taxa básica de juros (Selic) está baixa, é natural que os investidores não tradicionais de poupança migrem para ela, dando maior robustez. Agora, com ciclo de alta de juros, acontece o efeito inverso. O investidor tradicional da poupança vai continuar na poupança como sempre esteve", afirma.
Apesar de não ter a isenção do Imposto de Renda como na poupança, as aplicações de renda fixa estão mais atrativas para o poupador, pois são remuneradas com base na Selic, atualmente em 12% ao ano - mais que a caderneta, que remunera em 6% ao ano mais Taxa Referencial (TR, atualmente muito próxima de zero).
Mesmo se a fonte secar em três anos, diz Magesty, existem mecanismos financeiros para sanar a situação, como a securitização, em que a instituição abriria mão de parte de seus ativos para oferecê-los como títulos comercializáveis. Na Caixa, segundo ele, isso ainda não é viável, por causa do alto custo desse financiamento. O banco já trabalha com captação mista de recursos para financiamento imobiliário, alternando caderneta de poupança e Letras de Crédito Imobiliário (LCI). O custo dessa captação pode encarecer o crédito em até 1,5% ao ano, de acordo com Magesty.
No entanto, o consultor da Caixa acredita que o Comitê de Política Monetária (Copom) irá baixar a taxa Selic após controlar o cenário atual de inflação, o que levará boa parte dos investidores a voltarem para a poupança.
Segundo Fernando Baumeier, superintendente de negócios imobiliários do Santander, a captação líquida da poupança no banco vem crescendo 15% e 20% no ano, enquanto o crédito avança 50%.
"Com o funding para crédito acabando, os caminhos são a securitização e as emissões de LCI, que o Banco Central (BC), inclusive, já vem discutindo como alternativas", afirma. Na opinião dele, o aumento dos juros para o consumidor não deve ser expressivo, já que representará um ajuste momentâneo. "Não é nada que já não tenhamos visto historicamente".
Outra fonte de recursos para o crédito imobiliário, segundo Braumeier, é a modalidade de refinanciamento imobiliário por alienação fiduciária, pouco citado quando o assunto é o mercado de imóveis, de acordo com ele. Nesse tipo de financiamento, um proprietário dá como garantia um imóvel já quitado em troca do empréstimo para comprar ou reformar outra residência.
A taxa de juros para contratar esse serviço gira em torno de 1% ao mês, mais correção pelo Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M), que foi de 0,43% em maio. O empréstimo pode ser pago em até 30 anos e o financiamento não pode ser superior a 50% do valor de avaliação do imóvel.