Em meio à pressão política pela proximidade das eleições, a reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), que começa hoje (27), é considerada por analistas um divisor de águas na economia: o colegiado poderá chancelar que a inflação ficará mais tempo ao redor do teto da meta [hoje em 6,5%] ou tornar ainda mais lento o cambaleante crescimento econômico, segundo economistas ouvidos pelo jornal O Globo. Na pesquisa que o BC (Banco Central) faz semanalmente, as apostas são que o Copom interromperá o maior ciclo de alta dos juros da história no patamar de 11% ao ano.
Na visão do economista Luiz Gonzaga Belluzo, um dos gurus da equipe econômica, o país precisa crescer e é necessário aproveitar esse momento em que a inflação está se comportando melhor. Atualmente, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) está em 6,28% no acumulado nos últimos 12 meses, mas dá sinais de queda.
“Pelas recentes manifestações do Banco Central, a impressão é que eles (os integrantes do Copom) serão moderados. Se houver alta, será pequena, de 0,25 ponto percentual”, prevê. Segundo ele, é preciso levar em conta o fraco desempenho econômico.
O economista Luiz Carlos Mendonça de Barros concorda. Em sua opinião, elevar os juros agora não faz o menor sentido, pois os custos serão enormes e os resultados, pífios. Desde abril do ano passado, o BC aperta a política de juros para combater a inflação. Nunca o Copom subiu a taxa básica (Selic) por tanto tempo.