Edições dos últimos dias do Diário Oficial do Município retomam a velha práticas do toma-lá-dá-cá, característica das políticas de relacionamento institucional adotada entre os Poderes Executivo, envolvendo o Legislativo e em consequência favorecendo a escalada de nomeações, gratificações e promoções funcionais na estrutura da Prefeitura de Dourados.
Desde que assumiu o mandato, há 7 meses e 10 dias, o prefeito Alan Guedes (PP) não conseguiu ficar um único mês sem ‘rechear’ o Diário Oficial de nomeações, promoção de gratificações de função e remanejamentos nos cargos de servidores, à medida em que vão se tensionando as relações com o fim de se estabelecer a chamada ‘governabilidade’, nomenclatura batizada pelo ex-governador Zeca do PT ao chegar ao Poder em Mato Grosso do Sul, no final dos anos 90, para justificar a aproximação com blocos políticos ditos conservadores para a época.
Só nesta terça-feira (10), o Diário Oficial de Dourados traz, pelo menos, 30 situações de aumento nos pagamentos a título de gratificações de função, contrariando, em princípio, a própria ordem que Guedes havia dado, no dia 7 de janeiro, primeira semana do exercício do mandato, ao estabelecer proibição, até o dia 31 de dezembro de 2021, da “concessão, a qualquer título, de vantagem, aumento, reajuste ou adequação”.
No mesmo Decreto número 14, assinado juntamente com o então poderoso advogado Paulo Cesar Nunes, elevado às condição de Procurador Geral do Município, Guedes determinou “contenção das despesas com custeio da máquina administrativa em, pelo menos, 25% em todos os órgãos da Administração Municipal”. Levantamento realizado recentemente por entidades do Movimento Social dão conta de que, na atual gestão, já foram ocupados perto de 600 cargos da confiança direta do prefeito, diante de pouco mais de 560 nos quatro anos de mandato da prefeita anterior.