El Niño pode ser 'salvação' para produtores rurais. — Anderson Viegas/g1 MS
Com área de cultivo de 4,2 milhões de hectares, a estimativa produzida pela Associação de Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul (Aprosoja/MS) prevê queda de até 13% na produtividade na safra de soja 2023/2024. Os dados foram lançados, nesta sexta-feira (15), marcando o fim do vazio sanitário no estado.
O presidente da Aprosoja, André Dobashi, explicou que a queda é justificava pelo cálculo da média histórica de Mato Grosso do Sul. Na safra de 2021/2022, a produtividade ficou em 38,65 sc/ha, muito abaixo da safra anterior, quando havia sido de 62,84 sc/ha.
"A Aprosoja não pode fazer uma perspectiva do que o produtor quer, ela tem que fazer uma perspectiva baseada em médias, baseada na média histórica de cada região, uma média geométrica. A gente teve uma frustração de safra em 2022, e isso fez com que nossa produtividade caísse abaixo de 40 sacas. Então, quando a gente vai fazer uma perspectiva para a próxima safra, a gente precisa prever a queda de safra na perspectiva. Por isso que a gente vem com -13% de produtividade nessa safra", relatou.
Ao todo, a manufatura prevista é de 13,8 milhões de toneladas, redução de 7,92%, e produtividade de 54 sc/ha. Em relação ao custo de produção por hectare, a expectativa é redução de 10%, saindo de R$ 6.860,08 no ciclo anterior para R$ 6.170,61 em 2023. Contudo, o custo da saca por hectare passou de 42,88 para 51,42, incremento de 20%, justificado pela queda do preço médio da saca, que saiu de 180,00 para 120,00/sc.
Conforme a associação, se as condições climáticas forem favoráveis, a produção pode recuperar a médica histórica. Neste ano, os meteorologistas da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc) afirmaram que o fenômeno conhecido como El Niño pode favorecer o setor agrícola do estado.
"Aumenta a temperatura, aumenta a precipitação. Quando a gente tem um ambiente característica do Mato Grosso do Sul, bate record de produtividade. Que é o que o produtor sul-mato-grossense vem esperando", pontuou o presidente da Aprosoja.
O fenômeno é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do oceano Pacífico e pode ocorrer em intervalos de 5 a 7 anos. Na América do Sul, provoca clima quente e chuvoso.
Conforme explicou André, a maior parte da produção de soja em Mato Grosso do Sul é concentrada no sul do estado, região conhecida como Conesul, justamente o local onde mais pode haver chuvas no fim do ano.
"Quando acontece o fenômeno, a gente tem uma maior porção de chuva nessa porção do estado (sul), e isso faz com que a gente seja favorecido. Em relação ao aumento de temperatura, acontece. Normalmente é amenizado pelo fato de estar chovendo mais. Porém, a tecnologia é o que mais ajuda. Dentro dessa tecnologia, a gente destaca o produtivo direto, com a concentração das palhadas. Não só as palhadas de braquiária, que é a mais característica no nosso estado, mas toda a cultura de cobertura, a gente ameniza bastante o problema da temperatura", relatou o presidente da Aprosoja-MS, André Dobashi
Confira a evolução das safras de soja em Mato Grosso do Sul:
Soja 2020/2021
- Área: 3,529 milhões hectares
- Produção: 13,306 milhões toneladas
- Produtividade média: 62,84 sc/ha
Soja 2021/2022
- Área: 3,748 milhões hectares
- Produção: 8,692 milhões toneladas
- Produtividade média: 38,65 sc/ha
Soja 2022/2023
- Área: 4,005 milhões hectares
- Produção: 15,007 milhões toneladas
- Produtividade média: 62,44 sc/ha
Estimativa soja 2023/2024
- Área: 4,265 milhões hectares
- Produção: 13,818 milhões toneladas
- Produtividade média: 54 sc/ha