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Carne e tomate puxam preços pra cima

Em Dourados, custo da hora trabalhada fica cada vez mais caro

12 de outubro 2026 - 10h21 Por Redação Douranews
Carne e tomate puxam preços pra cima Carne e tomate voltam a ser vilões da cesta básica — Reprodução

O valor da Cesta Básica do mês de Setembro/2026 teve novo aumento de preços em Dourados. É o que constata a pesquisa desenvolvida pelo Projeto de Extensão “O Comportamento dos Preços da Cesta Básica no Município de Dourados” do Curso de Ciências Econômicas da FACE (Faculdade de Administração, Ciências Contábeis e Economia) da Universidade Federal da Grande Dourados, realizada na última semana do mês passado e a primeira deste mês de outubro.

Os produtos que compõem a Cesta Básica conforme o DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) de acordo com a Lei 399 que estabelece o salário mínimo são: Açúcar, arroz, banana, batata, café, carne, farinha de trigo, feijão, leite, margarina, óleo de soja, pão francês e tomate.

Os preços da cesta básica em Agosto/2026 com estes produtos ficaram em R$ 724,07 o que significa 44,67% do salário mínimo que foi de R$ 1.621,00. E no mês de Setembro de 2026, o trabalhador douradense teve que destinar uma quantia bem maior a isso para a compra dos produtos componentes da cesta básica que foi de R$ 760,10 o que equivale a 46,89% do salário mínimo vigente.

No gráfico em continuação estão os preços da Cesta Básica do município de Dourados em todo o ano de 2026. Confira:

grafico cesta básica

Fonte: Curso de Ciências Econômicas da FACE/UFGD

Dos 13 produtos que compõem a Cesta Básica, sete apresentaram aumento de preços no mês de Setembro/2026 em Dourados, como também foi no mês de Agosto. Estes são os produtos que tiveram aumento de preços: o tomate com o maior aumento, chegando a 25,05%; pelo segundo mês seguido o maior preço; margarina com 7,97% de aumento; a batata que aumentou 5,66% de preços; a carne com 5,32% de aumento. Estes produtos também aumentaram de preços, arroz com 3,62% de aumento, o açúcar que aumentou 3,51% de preços e o feijão que teve uma elevação de preços de 1,93%.

E cinco produtos tiveram queda de preços durante o mês de Setembro de 2026 em Dourados, estes foram: óleo se soja com a maior queda, chegando a 6,33%; leite com 3,65%; a banana com 2,37% de queda; a farinha de trigo com uma queda de preços de 1,05%; e o café com uma queda de 0,41% dos seus preços. E o pão francês fechou sem nenhuma variação de preços no mês de Setembro e pelo segundo mês seguido. 

Com o aumento dos preços dos produtos da Cesta Básica no mês de Setembro/2026, a pesquisa mostrou que vale muito a pena realizar seu próprio levantamento de preços antes de sair às compras, porque existe diferença muito significativa de preços entre um supermercado e outro com os mesmos produtos. “Isso demonstra que compensa essa verificação de preços. A sugestão que faço é também observar a pesquisa realizada pelo PROCON do nosso município porque ele identifica os estabelecimentos detalhando os preços praticados por cada um deles”, observa o professor Enrique Duarte Romero, coordenador do trabalho da FACE.

“No mês de Setembro/2026, observamos que essa diferença chegou a 183 reais ou 21,97% de diferença dos preços com os mesmos produtos praticados por diferentes estabelecimentos. Com 183 reais daria para comprar em Dourados 49,6 litros de Etanol num dos postos mais baratos da cidade, ou 3,87 kg de carne cujo preço médio é R$ 47,26 o quilo destes cortes de carne: Coxão mole, Coxão duro, ou Patinho”, diz Romero.

No âmbito nacional, o maior preço da Cesta do Brasil no mês de Setembro/2026 foi registrado em São Paulo, com R$ 922,51; seguida por Florianópolis com R$ 915,62 e a terceira capital com maior preço da Cesta foi registrado em Rio de Janeiro com R$ 913,46. O valor apresentou aumento de preços em todas as capitais do país. O resultado dos preços da Cesta Básica é um indicador muito importante para toda a economia brasileira, já que reflete a situação dos preços no setor de alimentos.

E os menores preços no mês de Setembro/2026, foram encontrados nas capitais dos estados da Bahia, Salvador, com R$ 634,67; Maceió, capital de Alagoas, com R$ 631,28 e, com o menor preço, Aracaju, capital de Sergipe, com R$ 587,76. Os menores preços foram praticados nos estados do Nordeste do país.

Comparado com a capital do Estado de Mato Grosso do Sul, Campo Grande, onde o preço da Cesta no mês de Setembro/2026 foi de R$ 806,56; a Cesta douradense é menor que a capital do Estado. O preço da Cesta Básica douradense do mês de Setembro/2026 superou os preços praticados em 15 capitais estaduais do país: Palmas, Belém, Macapá, Boa Vista, Teresina, São Luís, Porto Velho, Rio Branco, Manaus, Recife, João Pessoa, Natal, Salvador, Maceió e Aracajú conforme aponta o DIEESE.

O principal motivo do aumento de preços da Cesta Básica no mês de Setembro no município de Dourados foi o aumento de preços de dois produtos básicos, que no conjunto significa 53,78% do total da Cesta: a carne e o tomate. Estes mesmos produtos também foram os responsáveis pelo maior aumento no mês de Agosto.

Mais trabalho

A partir da Constituição Federal de 1988, o trabalhador brasileiro deve trabalhar 220 horas mensais. Com isso, no mês de Agosto/2026, um trabalhador douradense tinha de trabalhar 98 horas e 16 minutos só para pagar a cesta básica. E no mês de Setembro/2026, este mesmo trabalhador precisou de um tempo maior para comprar alimentos: 103 horas e 10 minutos, isto representou uma perda do poder de compra do salário, comparado com o mês de Agosto.