A tecnologia do voto, porém, não encontra correspondência nas formas de comunicação utilizadas por partidos e candidatos. De acordo com levantamento feito pelo juiz do TSE Paulo de Tarso Tamburini, nos quase três meses de propaganda eleitoral nas cidades, as campanhas investiram alto em propaganda eleitoral impressa. Até a segunda parcial de contas apresentada ao TSE (setembro), mais de R$ 300 milhões haviam sido gastos só com papel e publicidade em jornais e revistas.
Segundo cálculos do magistrado, isso equivale a mais de 20 milhões de livros ou cadernos que poderiam ser feitos ou a mais de 20 bilhões de folhas tamanho A4. Ou ainda 417 mil árvores cortadas. Um recorde nacional, segundo ele.
Após a campanha, a propaganda eleitoral impressa é jogada no lixo ou nas ruas. Esse é um dos principais problemas que se vê no período eleitoral: a sujeira nas cidades. Os números são de assustar: só no dia do primeiro turno, foram coletadas na cidade do Rio de Janeiro 324 toneladas de lixo eleitoral (30 toneladas a mais em relação ao mesmo período de 2008).
Esse problema não é uma exclusividade das capitais. O município de Novo Gama, em Goiás, a 40 km de Brasília, teve eleição para prefeito e dez vereadores. A propaganda eleitoral no dia da votação deu trabalho para a limpeza pública, segundo o secretário de Obras de Novo Gama, Alessandro Barreiros. “O aumento foi muito grande, cerca de 500% ou mais. A nossa equipe diária de varrição é muito pequena. Diante do volume muito grande de material de campanha, nós tivemos que deslocar pessoas de outros setores para fazer essa varrição.”
O juiz eleitoral Paulo de Tarso Tamburini espera que o estudo sobre o impacto ambiental da propaganda eleitoral ajude os partidos e candidatos a mudar a forma de fazer a propaganda eleitoral no Brasil. “Esse é o nosso objetivo, fornecer dados concretos e estatísticos para que se reflita como se pode alterar a propaganda eleitoral ou como se pode tratar a propaganda eleitoral de maneira que esse impacto ambiental seja diminuído.”