O governador André Puccinelli não desmentiu, mas negou, apenas com um sorriso, ao questionamento feito pelo Douranews na tarde desta sexta-feira (27), quando esteve em Dourados, de que estaria interferindo na composição das três chapas que se articulam para disputar a sucessão dele no comando do Estado.
À pergunta no sentido de que ‘o que se ouve nos bastidores políticos é que o governador estaria bem articulado com todos os pré-candidatos ao Governo’, mas preocupado mesmo em eleger a vice Simone Tebet senadora, André apenas respondeu: “Na verdade, eu não estou nem aí”.
Oficialmente, o PMDB do governador tem como candidato à sucessão estadual o nome do ex-prefeito de Campo Grande, Nelson Trad Filho, mas o próprio André já declarou que vai montar um palanque paralelo para apoiar a reeleição da presidente Dilma Rousseff, cujo candidato ao Governo sul-mato-grossense é o senador Delcídio do Amaral.
Puccinelli também já disse, e não pediu segredo, que o compromisso firmado “antes dele morrer”, com o amigo senador Ramez Tebet, por quem diz ter iniciado na atividade política, era para ajudar a atual vice-governadora Simone Tebet a chegar ao Senado.
Até antes de o partido definir pela candidatura majoritária de Nelsinho, era o nome do próprio André quem se cogitava como candidato a senador na chapa encabeçada por Delcídio em uma aliança PT-PMDB rejeitada pela maioria dos dois partidos. Ainda assim, o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Jerson Domingos (PMDB), anunciou ontem que vai se licenciar do partido nesta semana que se inicia para trabalhar pelo petista.
Ao governador André também se atribui a filiação de dois auxiliares diretos (a ex-secretária Tereza Cristina, da Produção e o ex-presidente da Sanesul, José Carlos Barbosa) ao PSB para compor chapas proporcionais, com Nelsinho Trad.
O presidente do PSB no Estado, e prefeito de Dourados, Murilo Zauith, também teria se consultado com André antes de decidir permanecer à frente do Município, mesmo com a escassez de nomes habilitados para a disputa do Senado e, novamente, às vésperas das convenções, foi ter com o governador para confirmar a vaga de vice de Nelsinho à campo-grandense Janete Morais. E, empolgado com o projeto de Reinaldo Azambuja (PSDB) para o Governo, o douradense acabou cedendo a Nelsinho em troca da indicação de Janete e do ex-vice de Zeca do PT, Moacir Khol, na majoritária peemedebista.