O Festival de Cinema de Gramado premiou a história de um romance homossexual. O pernambucano “Tatuagem”, dirigido por Hilton Lacerda, levou o Kikito de melhor filme da edição 2013 do festival, em cerimônia de premiação realizada na noite deste sábado (17), no Palácio dos Festivais. O longa também rendeu a Irandhir Santos o prêmio de melhor ator.
Ambientado no ano de 1978, o filme retrata um cabaré de Recife, onde a contestação ao regime militar vigente é feito por meio do deboche e da anarquia. Nesse ambiente, Clécio, o líder de um grupo teatral interpretado por Irandhir, tem um relacionamento com Paulete (Rodrigo Garcia) até que se apaixona pelo jovem soldado Fininha (Jesuita Barbosa).
Segundo o diretor, o tema central de "Tatuagem" é o afeto, amor e amizade. “Estou muito feliz. Queria agradecer a essa equipe incrível que trabalhou no filme. Cinema se faz com amizade e muito amor. E eu só sei fazer cinema com essas pessoas. O nosso filme é uma homenagem à liberdade e à amizade. Queria dedica-lo à possibilidade de abrirmos outros olhares”, discursou Hilton, roteirista de filmes como "Amarelo Manga" e "A Febre do Rato", que dirigiu seu primeiro longa-metragem.
O prêmio de melhor direção foi para uma dupla de jovens realizadores de São Paulo, Andradina Azevedo e Dida Andrade, por "A Bruta Flor do Querer", o primeiro longa-metragem fruto de uma parceria iniciada em 2007. "É incrível ganhar esse prêmio com tanta fera concorrendo. A gente sempre ganha menção honrosa, mas hoje deu", comemorou Dida.
Já esperado, o Kikito de melhor atriz foi para Leandra Leal, por sua interpretação de uma mulher grávida que perde o marido assassinado em "Éden", de Bruno Safadi. No discurso de agradecimento, ela dedicou o prêmio às mães que criaram os filhos sozinhas, depois de perderam o parceiro da mesma forma. É a segunda vez que ela ganha o prêmio em Gramado.
O Palácio dos Festivais também viveu um momento de emoção ao relembrar um dos maiores atores brasileiros, Walmor Chagas. Ele ganhou o prêmio de ator coajuvante por "A Coleção Invisível", dirigido por Bernard Attal e no qual contracena com Vladimir Brichta. Foi o último trabalho do ator no cinema antes de se suicidar, em janeiro deste ano. "A gente conviveu com um explendor de ator. Aprendemos muito com ele", disse Brichta.
Nos prêmios técnicos, a animação gaúcha "Até que a Sbórnia nos Separe" venceu em melhor direção de arte, pelo trabalho primoroso de desenho de Eloar Guazzelli e Pilar Prado. A fotografia de "A Bruta Flor do Querer", de Gallo Rivas, foi eleita a melhor pelo júri. O veterano cineasta e dramaturgo Domingos de Oliveira saiu de Gramado com mais um Kikito, o de melhor roteiro. Já o troféu por trilha musical ficou com DJ Dolores, por "Tatuagem".
Entre os longa-metragens estrangeiros na competição, o documentário "Repare Bem", da atriz e realizadora portuguesa Maria de Medeiros, foi escolhido o melhor filme. Apesar de ser um filme português, a obra trata de uma história e de uma personagem bem brasileira, a ex-presa política Denise Crispim, companheira do guerrilheiro Eduardo Leite "Bacuri", morto pela ditadura militar em 1970. Com informações do Terra