Buscar quarta-feira, 2 de setembro de 2026
(67) 99913-8196
Dourados
27°C
SAPAS

Coletivo promove mostra de arte na Sucata

Evento expõe a cultura lésbica, com entrada gratuita

12 de dezembro 2022 - 14h12 Por Redação Douranews
Coletivo promove mostra de arte na Sucata Camila Faca vai se apresentar durante a Mostra — Divulgação/Raíque Moura

O espaço Sucata Cultural será o palco principal, em Dourados, às 19 horas de sexta-feira (16), com entrada gratuita, da mostra “Diversas – arte e cultura lésbica”, reunindo diferentes manifestações artísticas: exposição, performance teatral, exibição audiovisual e show musical. A Mostra é uma produção do Coletivo “Cadê as Sapas?”, formado pelas artistas cênicas e pesquisadoras Camile dos Anjos e Júnia Pereira.

A exposição será instalada no foyer do espaço e reunirá uma série de ilustrações da artista Ju Tonin, denominada “LesboAfetos”. Ju Tonin é mestranda na Unila (Universidade Federal da Integração Latino-Americana) e, durante sua trajetória em Dourados, participou do Coletivo Teatro Ofusquina como produtora, artivista e performer. Além da série “LesboAfetos”, a artista produziu ilustrações originais que compõe a arte gráfica do evento e o figurino da performance “Cadê as Sapas?”. Além das ilustrações, serão expostas algumas imagens de um ensaio fotográfico que fez parte do processo de pesquisa da artista Camile dos Anjos e também lambe-lambes produzidos por Camile no contexto do projeto internacional “Faísca Latina”, que reuniu artistas do Brasil e da Guatemala. A exposição reúne ainda materiais gráficos a respeito de personalidades e marcos históricos importantes do movimento lésbico.

Às 19h30, no quintal do Sucata Cultural, será apresentada a performance teatral “Cadê as Sapas?”, com dramaturgia e atuação de Camile dos Anjos e Júnia Pereira. O trabalho está em elaboração desde 2021 e terá sua estreia nesse evento. A dramaturgia referencia a representação lésbica no teatro brasileiro, rememorando obras como “As Moças” de Isabel Câmara e “As Sereias da Rive Gauche” de Vange Leonel, além de trazer questões que dizem respeito às vivências das artistas. “Cadê as Sapas?” traz à cena as inquietações de duas atrizes em busca de um texto, as angústias de não se sentirem representadas pela dramaturgia considerada clássica e a tentativa de trazer suas experiências para a cena.

Em seguida, o público será convidado a assistir, na sala de espetáculos, os vídeos “Manifesto 44” e “Tia Nina Sapatão”, do grupo Fanchecléticas Coletiva (MG) e a áudio cena “Safo de Lesbos”, do grupo Vagamundas de Teatro. A ideia é proporcionar um intercâmbio entre artistas locais e de outros estados que desenvolvem trabalhos artísticos a partir da mesma temática. Fanchecléticas Coletiva é um grupo de artistas lésbicas de Belo Horizonte que surge em 2019 a partir da criação da cena curta “Eu não sei você, mas eu sou sapatão”.

Além de cenas curtas, performances, cenas audiovisuais e contação de histórias, o grupo promove pesquisas como a que deu origem ao site “Sapatonas no Teatro” (2021) e encontros e festivais, como o FAFAN – 1º Festival de Arte Fancha (2021). Já o coletivo Vagamundas de Teatro foi formado em Dourados em 2018 pelas artistas Arami Argüello e Denise Leal e atualmente mantém sede em São Paulo. Em sua trajetória, o grupo vem tratando de assuntos como a censura e a tortura na ditadura militar brasileira, o medo e a coragem diante de um regime e de um discurso político autoritário, o amor lésbico, o imaginário em torno da morte, e as paisagens do passado e do presente na cidade de Dourados. 

Para encerrar a mostra, haverá um show musical com a cantora Camila Faca e banda, formada pelos músicos Pv Sanches, Eduardo Santana e Marquinhos Correia. Camila Faca é cantora natural de Rondônia presente na cena musical douradense desde 2011. Nessa apresentação musical criada especialmente para o evento, Camila irá rememorar versões de clássicos da música brasileira, conhecidos popularmente nas vozes de cantoras como Cássia Eller, Marina Lima, Adriana Calcanhotto, e outras cantoras e compositoras lésbicas que se tornaram referência para toda uma geração, não apenas por suas trajetórias artísticas, pois são parte indispensável da história da música brasileira, mas também, por subverterem a lógica da heteronormatividade através de seus corpos e de suas canções.

Também faz parte da Mostra uma oficina de dramaturgia, que será realizada no dia 15 de dezembro. A oficina será ministrada por Camile dos Anjos e Júnia Pereira e visa compartilhar a pesquisa realizada por elas acerca de dramaturgias com temas e personagens lésbicas, compartilhando também o pensamento de artistas e teóricas consultadas ao longo do processo criativo da performance.  Também serão realizadas práticas de escrita com as participantes, a partir das discussões e reflexões levantadas na oficina.  

A Mostra “Diversas – arte e cultura lésbica” tem o patrocínio do Fundo de Investimentos Culturais da Prefeitura de Dourados.