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Olimpíadas de Inverno tenta esconder genocídio em região russa

07 de fevereiro 2014 - 12h40 Por Redação Douranews
Olimpíadas de Inverno tenta esconder genocídio em região russa

Uma história de genocídio e diáspora fica escondida sob os altos valores investidos para a realização das Olimpíadas de Inverno de 2014. O governo russo gastou R$ 100 bilhões para ser sede da competição que começa hoje (7) e, ao mesmo tempo, ignorou os protestos pela escolha da cidade de Sochi para abrigar os atletas.

Reportagem do canal ESPN mostra que Sochi é uma das cidades mais importantes da Circássia, extinto país que travou uma batalha com o Império Russo em 1864. O resultado disso foi milhões de circassianos mortos em uma história que não é contada em livros, mas que motivaram a organização de um movimento para impedir a realização dos Jogos por causa do massacre de 150 anos atrás.

Como os relatos de um dos maiores genocídios da história da Europa Moderna não são encontrados em museus e muito menos retratados em filmes famosos, um grupo denominado "No Sochi 2014" tentou incentivar debates ao redor do mundo para buscar simpatizantes em torno da causa, mas não sensibilizou o Comitê Olímpico Internacional.

O conflito entre os dois países faz parte da trajetória dos russos na conquista do Cáucaso, região que se estende entre o Mar Negro e o Mar Cáspio e onde se situava o território circassiano. O fim da guerra culminou com a anexação da Circássia ao Império Russo e a devastação de sua população nativa. Dados históricos divergem na contagem de vítimas, mas estima-se que entre 1 e 1,5 milhão de circassianos perderam a vida nos conflitos.

Exatos 150 anos depois, na mesma Krasyana Polyana - que em português significa "Clareira Vermelha" em virtude do sangue que ali foi derrubado - atletas se preparam para as competições de esqui das Olímpiadas de Inverno de Sochi 2014. Sepulturas deram lugar a luxuosos resorts e modernas pistas, transformando o local em um verdadeiro paraíso para praticantes de esportes na neve, incluindo o presidente Vladmir Putin.