A torcida do Flamengo pediu insistentemente a chegada de um camisa 10 para a atual temporada, mas não conseguiu enxergar na contratação de Alan Patrick a solução. Tratava-se de um jogador que, prejudicado por seguidas lesões, vinha jogando pouco no Palmeiras. O casamento no Rio de Janeiro, no entanto, foi perfeito, surpreendeu. Bastou Alan ter um pouco de sequência como titular para encantar os rubro-negros, que agora sim veem nele um autêntico meia armador, mais criativo até do que Ederson, pescado na Europa para exercer a função e que inclusive ganhou o número que já foi de Zico.
Em 16 partidas pelo clube da Gávea, Alan Patrick tem três assistências, mas poderia ter mais, não fossem os gols desperdiçados por companheiros após presenteá-los com belos passes. O jogo contra o São Paulo no returno (vitória por 2 a 1) é um exemplo, com Guerrero perdendo duas chances claras após ser acionado pelo meia. E o camisa 19 traz consigo um bônus: é o artilheiro do time no Campeonato Brasileiro, com cinco gols. Todos muito bonitos, por sinal. Claro que guardadas as devidas proporções, dá para imaginar nele um pouco de Junior, que como meio-campista virou "Maestro" após liderar e guiar o Fla na conquista do Brasileiro de 1992, e outro pouco de Dodô, que ficou conhecido como "Artilheiro dos gols bonitos". O fato é que a fase de Alan Patrick é ótima, o que o fez ganhar a confiança e a admiração dos rubro-negros.
- Eu não vim com aquele alarde todo, aquele status de estrela, mas procurei sempre fazer meu trabalho focado e mostrar dentro de campo meu valor para todos. Vem dando certo, os resultados vêm acontecendo. Com essas grandes atuações, acho que agora a torcida me conhece (risos), todo mundo me conhece, sabe do meu potencial. Espero dar continuidade dessa mesma maneira - disse o jogador de 24 anos, em entrevista ao GloboEsporte.com.
Foi na quadra de futsal do condomínio onde mora no Recreio dos Bandeirantes, no Rio de Janeiro, que Alan Patrick recebeu a reportagem para conceder esta entrevista, onde falou bastante sobre Flamengo e carreira, que segundo ele está no melhor momento. Após seis vitórias consecutivas e o espaço conquistado no G-4, pediu pés no chão ao time, mas mostrou uma pontinha de esperança no título brasileiro, mesmo 13 pontos atrás do líder Corinthians. Teve dificuldade para explicar o porquê de a troca de Cristóvão Borges por Oswaldo de Oliveira ter dado tão certo. Relembrou os tempos de Ucrânia. E garantiu que pretende estender seu contrato com o Rubro-Negro, que termina no fim do ano - o Fla já se movimenta para tentar renovar o empréstimo junto ao Shakhtar Donetsk até o fim de 2016.