E ao lado do estádio Monumental de Nuñez, palco da partida, está o moderno museu do River, local que reúne de maneira ímpar os triunfos do passado dos Milionários. Por hora, único motivo de orgulho dos torcedores.
- Depois que o River caiu para B (Segunda Divisão), passamos a receber mais visitantes. As pessoas se apegam ao passado para tentar esquecer o presente um pouco. Mas vamos voltar – disse um funcionário, que pediu para não ser identificado.
Ele, entretanto, não soube responder se, caso o River conquiste a Segundona, o caneco ficará exposto ao lado de troféus épicos como os da Taça Libertadores de 1996 e do Mundial de Clubes do mesmo ano. E se, tampouco, os jogadores que tentam reconduzir o River de volta à elite aparecerão no museu como “A Máquina” das décadas de 40 e 50 ou dos times dos anos 90 e 2000 que contavam com nomes como Francescoli, Aimar, Saviola e Crespo.
- Que esse heróis inspirem o elenco atual para voltarmos para A (Primeira Divisão) – afirmou Pablo, torcedor do River que visitava o museu.
No entanto, um desses atletas que marcaram época no clube é o atual técnico da equipe. O ex-volante Matías Almeyda, campeão da Libertadores de 1996, assumiu o comando do River logo após a queda, da qual fez parte, inclusive. Sem experiência, mas com muita vontade, “Pelado”, como é conhecido, tenta esquecer o fatídico rebaixamento que aconteceu há menos de dois meses.
Depois de péssimas campanhas ao longo de três temporadas, o River acabou tendo que disputar a repescagem contra o Belgrano. Após ser derrotado no jogo de ida por 2 a 0, o River empatou na volta no Monumental de Nuñez, causando a revolta de parte da torcida que quebrou cadeiras e entrou em confronto com policiais. Por conta disso, existia a possibilidade do River e não enfrentar o Chacarita em sua casa. No entanto, a punição não veio – só deve ser dada na próxima quarta-feira – e os Milionários poderão atuar diante de parte dos seus fãs – por questão de segurança, a diretoria vai permitir apenas a entrada de sócios que estiverem em dia com sues carnês.
Para o jogo marcado para 19h10 (de Brasília), Almeyda aposta nos recém-contratados medalhões Cavenaghi e Alejandro Domínguez. Experiente, a dupla tem a missão de fazer os gols que faltaram para evitar o descenso. Ambos serão municiados pelo jovem Ocampos, de apenas 17 anos e que passou a ser o xodó do treinador durante a pré-temporada.
- Não estou nervoso pelo começo do campeonato, mas triste um pouco porque já começou a Primeira Divisão e nós não nos vimos ali – disse Matías Almeyda, lembrando que a Segundona será um torneio muito difícil e longo.
E, ao contrário do que chegou a ser especulado há algumas semanas, não haverá virada de mesa. Ou seja, para conseguir o acesso, o River terá pela frente 38 rodadas na Segundona, campos ruins, estádios acanhados e até o Boca... o Boca Unidos (time da província de Corrientes e que não tem relação nenhuma com o arquirrival platense, Boca Juniors). Os dois primeiros se garantem na elite de forma direta. Ficando em terceiro ou quarto lugar, o River terá de disputar a promoción contra o 17º ou o 18º colocado da tabela do promedio (média de pontos dos últimos três anos na Primeira Divisão).