O palco que vai receber a partida deste sábado (27) da seleção brasileira contra o Paraguai está diferente. Inaugurado nesta quinta-feira (25), tem sistema de iluminação moderno, cobertura, aparência de recém-saído do forno. Obras que não apagam, porém, a história do estádio municipal de Concepción, local de prisões e torturas políticas na época da ditadura chilena e com fama de mal-assombrado.
O Ester Roa Rebolledo, nome da primeira prefeita mulher do município, não recebe futebol desde agosto de 2013. A obra foi marcada por atrasos e greves que a tornaram ainda mais cara, e fizeram da busca por recursos uma corrida desenfreada. Cenário bem semelhante ao que se viu no Brasil durante os preparos para a última Copa do Mundo.
Empecilhos superados, o estádio ficou quase pronto. Ainda faltam alguns detalhes. Um deles é uma placa que homenageia todos os que ali foram prisioneiros políticos, há mais de 40 anos, durante o regime militar.
A partir do golpe de 1973, estádios de futebol se tornaram arenas de sofrimento. O de Concepción, que receberá a seleção brasileira neste sábado, na época era chamado de Regional, porque abrigava os presos recolhidos dos confrontos nas imediações, de acordo com a política da ditadura chilena.