O serviço de sepultamento dos cemitérios de Inhaúma, de Irajá e do Caju parou nesta terça-feira devido à greve dos funcionários da Santa Casa de Misericórdia, que estão sem receber o pagamento do mês de julho. Dos vinte corpos programados para serem enterrados no Cemitério de Inhaúma, apenas seis foram sepultados porque as famílias já possuem jazigos. O enterro da dona de casa Maria de Moura Mota, de 82 anos, foi um dos cancelados. A filha dela, Nilda Moura Mota, não conseguiu vaga em outros cemitérios.
- Eu não sei o que fazer com o corpo da minha mãe. Estamos muito nervosos, todo mundo está muito preocupado. Não sabemos mais o que fazer.
Segundo o diretor social do SindiFilantrópicas, Marcos Flávio, o serviço só será normalizado, se o pagamento referente ao mês de julho for depositado até quinta-feira.
- Agora está na mão do provedor da Santa Casa resolver o problema o mais rápido possível.
Uma funcionária que trabalha na limpeza do Cemitério de Inhaúma há quatro anos sem carteria assinada e pediu para não ser identificada conta que a Santa Casa tem obrigado os empregados a assinar na folha de pagamento o valor do salário diferente do que é pago.
- Eu recebia 170 reais por semana. Agora, trabalho dois dias por semana recebendo 100 reais, mas continuando assinando na folha de pagamento o valor antigo, como se estivesse ganhando aquilo, sem estar ganhando.
A Santa Casa da Misericórdia do Rio informou que passa por uma crise financeira crônica desde que foi descredenciada pelo Sistema Único de Saúde e que os pagamentos serão efetuados o mais rápido possível. A entidade vai apurar a denúncia da funcionária do Cemitério de Inhaúma.