O músico Jair Oliveira e a atriz Tania Khalill uniram talento e amor em um projeto familiar que começou com a chegada da primeira filha do casal, Isabela, em 2007. Hoje, o Grandes Pequeninos tem três álbuns, uma indicação para o Grammy Latino, canal no YouTube, espetáculo online e, a novidade deste ano, uma parceria inédita com a Broadway Kids.
A convite da empresa teatral Go Broadway, de Nova York, o casal desenvolveu o projeto Grandes Pequeninos Broadway, um curso de teatro online para crianças de 2 a 12 anos, para ensinar de forma lúdica e divertida as técnicas de interpretação, dança e expressão vocal.
É a primeira vez que a escola americana produz conteúdo para o Brasil. Para isso, foram selecionados profissionais brasileiros, que trabalham em montagens na famosa avenida nova-iorquina, e treinados na metodologia da Broadway Kids para desenvolver as aulas, cada uma com uma peça musical como pano de fundo.
Jair e Tania enriquecem o projeto com sua arte e são responsáveis por apresentar e costurar os vídeos de aproximadamente 20 minutos de duração. O curso estará disponível a partir desta quarta, 31, pela plataforma Sympla Play (https: //symp.la/GrandesPequeninos). O episódio piloto está disponível gratuitamente.
Em entrevista ao Estadão, o casal conta como nasceu o projeto que transcende suas carreiras artísticas, sua transição para as plataformas digitais e os detalhes sobre o novo curso de teatro.
Como nasceu o projeto Grandes Pequeninos?
Jair Oliveira: O legal desse nosso projeto familiar Grandes Pequeninos é que ele não nasceu como um projeto. Nasceu como um derivado desse amor gigante que descobrimos ao nos transformarmos em pai e mãe. Quando a nossa primeira filha, a Isabella, chegou em casa em 2007, nós dois estávamos tão encantados com aquele ser iluminado, que a gente se entregou mesmo. Comecei a fazer canções para várias situações daquele momento: quando a gente ia dar banho, quando a Tania ia amamentar, passear. Em um certo momento, Tania falou: "Você já está com tantas músicas que valeria gravar um disco". E gravei esse disco, lançado em 2009, que acabou sendo indicado para o Grammy Latino. Foi um negócio incrível. Estávamos no processo de montar o espetáculo teatral e percebemos que tinha material para transformá-lo num projeto. Quando chegou a nossa filha Laura, em 2011, fizemos outro disco, outro espetáculo e estreamos o nosso canal no YouTube, que hoje tem mais 350 mil inscritos, mais de 140 milhões de visualizações. E, recentemente, lançamos um terceiro disco, com o terceiro espetáculo, este online. A gente comunica muito esse amor que temos em família por meio das redes, e esse projeto ficou grande, paralelo a nossas carreiras de músico e atriz.
Tania Khalill: O Grandes Pequeninos é uma paixão na nossa vida e vai além das nossas carreiras. A música chega de um jeito não doutrinador, mas que passa a mensagem sobre alimentação, natureza, respeito ao próximo, amor-próprio, sobre como persistimos na vida. As famílias abraçam o projeto, isso é muito legal.
Cada um tem uma carreira consolidada, o Jair como cantor e produtor, a Tania como atriz de novela e teatro. Como é a relação artística entre vocês?
Tania: É óbvio que o projeto toma mais força no momento em que vai para o palco. Eu, aqui, aprendendo o que minhas filhas já têm, que é a musicalidade, no sentido de cantar. Tenho o que veio através da dança. É especial para uma atriz trabalhar com um músico.
Jair: Poder trabalhar junto com duas linguagens artísticas diferentes, que vibram na mesma essência, acabou ajudando muito o projeto. Além de marido e mulher, somos dois artistas que gostam dessa linguagem lúdica. Aprendo muito também com o ofício dela.
Como é para você, Jair, trazer seu trabalho como músico infantil nos anos 1980 para o projeto?
Jair: No Balão Mágico, eu era criança me comunicando com crianças, agora sou adulto me comunicando como criança para as famílias. É muito legal as pessoas perceberem que eu trouxe muito daquela energia infantil do Jairzinho. Muitos pais apresentam o Balão Mágico para os seus filhos junto com os Grandes Pequeninos, então eu fico em dose dupla. A arte transforma um sujeito numa criança eterna. Eu convivi muito com isso, porque tinha uma criança em casa que era muito mais velha do que eu: o meu pai (Jair Rodrigues). Ele sempre expôs esse lado mais infantil dele através da alegria, brincadeira e expressões artísticas que usava para desenvolver seu ofício de intérprete.
Como a pandemia afetou o projeto Grandes Pequeninos?
Tania: A gente sempre fez muitas lives interativas, principalmente na pandemia, e observa que as crianças adoram participar. Fizemos o quadro Histórias da Cartola, que cria histórias junto com as crianças, no improviso, e sempre saem mensagens interessantes e engraçadas. Estamos experimentando essa interatividade e sentimos que tem espaço para aprender online, espaço para a família. Isso já veio como uma certeza que esse projeto com a Broadway é pertinente.
Como se deu a parceria com a Broadway?
Jair: O convite desse grupo da Broadway Kids partiu de relações que construímos em Nova York, mas também pelo que eles enxergaram em nós. Não só pelo Grandes Pequeninos, mas pelas carreiras de cada um, dois artistas que existem fora do desenho e que vêm trabalhando através do tempo. A gente pode usar nossa imagem para apresentar essa ideia para o público brasileiro, porque escolhemos o que vai comunicar para as famílias e as crianças de uma maneira responsável e com credibilidade.
Tania: Agora é um momento tão desafiador no mundo e a gente fica tão feliz e honrado de ter sido convidado por essa escola da Broadway. Está sendo produzido tudo em Nova York, por artistas brasileiros que moram e têm espaço lá, que gravaram junto com a gente esse conteúdo.
Qual a importância desse projeto?
Tania: Quando há orientação desde pequenininho, a arte é a primeira conexão da criança com o seu corpinho. Essas aulas vêm num momento tão importante, não só pedagógico, mas de trazer alegria para a casa. O curso chega com um conteúdo que a criança pode brincar, explorar. E os pais apoiam, aprendem junto com a história desses musicais. É um presente poder apresentar um conteúdo que vem com outra qualidade, chegando no Brasil. Essa é a parte da parceria deles, que tem esse know-how do ensino pedagógico. Entramos como espectadores dessa metodologia que eles fazem há anos, com professores artistas.
Vocês participaram da escolha dos musicais que fazem parte do curso?
Jair: Demos nossos palpites, mas eles conhecem muito mais a fundo para poder escolher o que gera uma mensagem em um episódio. O universo dos musicais é gigantesco. No Brasil, temos acesso a um pequeno pedaço desse universo, os mais famosos ou aqueles que se transformaram em filmes. Em Nova York, a cada ano surgem muitos musicais legais, ganhadores de prêmios. Nesse formato, a gente vai explorar também os que não tiveram uma notoriedade tão grande no Brasil. Da primeira temporada, gostamos do Wicked, que assistimos com nossas filhas, e a Noviça Rebelde.
Quais os planos futuros para o Grandes Pequeninos Broadway?
Jair: A intenção é introduzir o universo dos musicais na primeira infância. Tem que ser de um jeito que eles entendam e curtam. Hoje, o conteúdo é adaptado para essa faixa etária (de 2 a 12 anos). Muito provavelmente, com o projeto crescendo, a gente vai subdividindo em outras faixas. A ideia do grupo Go Broadway é, em algum momento, transformar isso em presencial, mas sem abandonar o online. Queremos chegar a mais pessoas e aí vem a parceria com a Sympla. Conversamos também com todos os parceiros para oferecer isso para as crianças que não têm acesso. A nossa intenção é que cada pacote de aula ofereça também para crianças que não têm condições através de instituições. A arte é essencial para a educação.