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Dólar firma queda no final e cai a R$ 5,33, menor nível desde janeiro

29 de abril 2021 - 20h24 Por Estadão Contéudo
Dólar firma queda no final e cai a R$ 5,33, menor nível desde janeiro
O dólar operou a maior parte do dia com oscilações contidas, firmando queda apenas perto do fechamento, para encerrar no menor nível desde 20 de janeiro. A moeda norte-americana operou volátil, alternando altas influenciadas pelo exterior, em dia de pressão nos juros longos americanos, e baixas com relatos de fluxo externo vindo para o Brasil, refletindo a semana com empresas abrindo capital, como a Boa Safra Sementes e a Caixa Seguridade, captações externas e na sexta-feira, 30, a privatização da fluminense Cedae. No fechamento, o dólar à vista encerrou a quinta-feira com queda de 0,47%, a R$ 5,3365. No mercado futuro, o dólar para maio, que vence na sexta e tem liquidação na segunda-feira, tinha leve baixa de 0,04% às 17h40, a R$ 5,3450, mas chegou na mínima a cair a R$ 5,32. Desde meados de abril o real engatou melhora em ritmo mais intenso que seus pares, saindo de níveis acima de R$ 5,60 para R$ 5,33 hoje, destaca a analista de moedas e emergentes do Commerzbank, Melanie Fischinger. Até então, ao contrário, o real vinha sendo em 2021 uma das piores moedas de emergentes. Enquanto divisas pares do Brasil voltaram a patamares de antes de pandemia, ou ao menos a números próximos, o real ainda está bem distante, cita Fischinger. A aprovação do Orçamento de 2021 sem romper o teto, a sinalização esta semana de avanço da reforma tributária, mesmo que fatiada, e da administrativa, além da perspectiva de elevação dos juros pelo Banco Central estão contribuindo para retirar pressão do câmbio, avalia a analista. "Mas permanecemos céticos", observa, citando que gastos foram deixados fora do teto no Orçamento e que a dívida do Brasil segue elevada e acima dos pares, além do que novas pressões para mais gastos podem surgir. "Até que os investidores estejam convencidos de que haverá prioridade na consolidação das finanças nacionais e na implementação de reformas, o real terá dificuldade de apreciação", comenta a analista do Commerzbank. Nesta quinta, o Tesouro divulgou que houve superávit primário em março, R$ 2,1 bilhões, o melhor desempenho para o mês desde 2014 e no teto das estimativas. Contudo, o órgão calcula que a dívida bruta deve fechar o ano em 87,2% do PIB, bem acima da média dos emergentes. Na batalha por mais gastos públicos até agora em 2021, o Congresso está vencendo o governo, ressalta relatório da consultoria TS Lombard. Há ainda ruídos em Brasília que vêm sendo monitorados pelas mesas de câmbio, mas nesta quinta sem efeitos nas cotações. Entre eles, as discussões sobre a constitucionalidade da autonomia do Banco Central e no Supremo sobre o censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Neste ambiente, o economista e sócio da JF Trust Gestão de Recursos, Eduardo Velho, estima suporte para o dólar em R$ 5,33. O fluxo externo tem ajudado, além do sinal do Federal Reserve que nem começou a discutir a retirada dos estímulos extraordinários e do novo pacote fiscal de Joe Biden, fatores que beneficiam moedas de emergentes. Juros Os juros futuros tiveram alívio no período da tarde desta quinta-feira, promovido por uma série de fatores, com destaque para o resultado do Governo Central perto do teto das estimativas, informação de fatiamento da reforma tributária e menor pressão dos Treasuries. As taxas de médio e longo prazo zeraram a alta para encerrar com viés de baixa, enquanto a ponta curta se manteve por toda a sessão perto dos ajustes de quarta-feira. Também na segunda etapa já não havia mais a influência do leilão do Tesouro, que ajudava a pressionar a curva pela manhã. A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022 fechou em 4,61%, de 4,637% na quarta-feira no ajuste, e a do DI para janeiro de 2025 caiu de 7,716% para 7,68%. O DI para janeiro de 2027 fechou com taxa de 8,34%, de 8,374% na quarta. No exterior, o retorno da T-Note de dez anos, que mais cedo bateu em 1,67%, desceu a 1,64% no meio da tarde. A alta das taxas intermediárias e longas, que rondava 10 pontos-base na etapa matutina, começou a perder força logo após o leilão de prefixados, que teve aumento da oferta de LTN (13,5 milhões para 19 milhões) e de NTN-F (500 mil para 800 mil) ante a semana passada. Sem a pressão do Tesouro, houve espaço para repercussão positiva da agenda e noticiário, especialmente a dos dados do Governo Central de março. "O fiscal é o que mercado mais teme e tem surpreendido positivamente todo mês", diz um gestor. Outras boas notícias do dia foram a informação do líder Governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), de que a reforma tributária será fatiada em quatro partes, e declarações otimistas em relação a fluxo de investimentos para o País dadas pelo ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, a respeito dos leilões no setor. Na leitura do mercado, a divisão da proposta tributária eleva as chances de aprovação, até porque a decisão teria sido tomada em consenso entre o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), o ministro da Economia, Paulo Guedes, e lideranças dos partidos. Nesse contexto, o investidor aproveitou a oportunidade para aplicar diante dos prêmios robustos da curva, mas também sem grandes posições, já que as incertezas persistem. A CPI da Covid se mantém como a nuvem negra em cima do governo e o dia ainda talvez reserve o julgamento pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em torno da retirada do ICMS da base de cálculo do PIS/Cofins, que pode resultar em prejuízo de centenas de bilhões para os cofres públicos. Bolsa As bolsas de Nova York melhoraram à tarde, à espera dos resultados da Amazon após o fechamento desta quinta-feira, enquanto o Ibovespa, embora tenha recuperado a linha de 120 mil depois de tocar os 119,7 mil pontos na mínima do dia, não conseguiu acompanhar o humor de Wall Street. Assim, o índice da B3 devolveu parte da recuperação da quarta-feira, quando havia subido 1,39% após perda de 1% no dia precedente. Nesta quinta, ainda em zigue-zague na semana, fechou em baixa de 0,82%, aos 120.065,75 pontos, entre piso de 119.702,87 e pico de 121.497,86 pontos na sessão, com giro financeiro a R$ 31,6 bilhões. Nas últimas quatro sessões, acumula agora perda de 0,39%, com ganhos no mês a 2,94% - no ano, sobe apenas 0,88%. Sem fôlego para romper de forma sustentada a resistência dos 121 mil pontos, mas também distante do suporte de 117,5 mil pontos, o Ibovespa tem se mantido em faixa relativamente estreita, tendo atingido os 119.003,27 pontos no pior momento da semana, na mínima intradia de terça, e chegado a 121.497,86 pontos na máxima do intervalo, nesta quinta. Nas últimas sete sessões, foi para os 119 mil pontos nas respectivas mínimas, e nas últimas quatro conseguiu tocar e superar os 121 mil pontos nos melhores momentos. O cenário externo continua favorecido pela temporada positiva de resultados corporativos, especialmente os das grandes empresas de tecnologia, bem como pela política monetária afrouxada e os estímulos fiscais nos Estados Unidos, em visão de retomada econômica reforçada pela expansão de 6,4% do Produto Interno Bruto (PIB) americano. Aqui, apesar do alívio recente observado no câmbio - nesta quinta, ainda em ajuste de baixa, a R$ 5,3365 no fechamento -, uma série de incertezas tem impedido o Ibovespa de rasgar para cima, mesmo permanecendo atrasado no ano em comparação a outras referências. "O mercado continua a operar muito em cima do ritmo de vacinação e de dados de crescimento econômico - o PIB americano foi positivo hoje para os mercados, que continuam muito correlacionados aos juros de 10 anos nos Estados Unidos", diz Daniel Miraglia, economista-chefe do Integral Group. "A reunião do Fed ontem também tranquilizou os mercados, e os ativos de risco reagiram bem. Os juros de 10 anos dos Estados Unidos, a taxa mais importante do mundo, saíram de 0,90% no início do ano para 1,75%, em fins de março, e aliviaram em abril, a 1,53% na mínima vista em 23 de abril, antes de voltar a subir de novo, mais lentamente", acrescenta Miraglia. "Vinham se mantendo ultimamente de lado, entre 1,55% e 1,60%, em cenário mais benigno para emergentes. Depois desta última reunião do Fed, estamos entrando em dinâmica um pouco nova, onde os juros longos nos Estados Unidos estão com viés um pouco mais de alta. Se voltar para nível de 1,75% ou acima, nos yields de 10 anos, será mais desafiador para emergentes, com impacto em câmbio e curva de juros." Assim, o índice da B3 segue dividido entre o noticiário corporativo doméstico, em geral positivo, e as preocupações com a pandemia, a CPI da Covid e a economia, especialmente a situação fiscal e a inflação - hoje, embora em desaceleração, a 1,51% em abril, o IGP-M foi o maior para o mês desde 1995. Dessa forma, desde meados de abril o Ibovespa tem orbitado em torno dos 120 mil, sem grandes quedas, sem grandes avanços. Os ganhos que haviam se distribuído bem na quarta-feira por empresas e setores deram lugar nesta quinta a um ajuste também linear, em que os bancos, em especial, devolveram parte do entusiasmo do dia anterior com o balanço do Santander, o primeiro da temporada trimestral no segmento. Em geral, o dia foi negativo também para outros setores de peso no Ibovespa, como commodities (Petrobras ON -2,00%, PN -1,34%) e siderurgia (CSN -2,20%). Na ponta do índice, Lojas Americanas fechou em baixa de 5,17%, à frente de Embraer (-4,31%) e de Santander (-3,87%). No lado oposto, B2W subiu 7,69% - em reação oposta a de Americanas sobre a mesma notícia, de combinação operacional entre as empresas -, enquanto Ecorodovias avançou 4,55% e Sabesp, 4,36%.