A nova linha que vai levar a energia produzida pela hidrelétrica de Itaipu a Assunção, no Paraguai, vai entrar em operação até o fim de setembro, segundo disse o diretor brasileiro de Itaipu, Jorge Samek, em entrevista ao G1. Com o sistema, o Paraguai terá garantida metade da energia que demanda nos horários de pico, que chega a 2,5 mil MW (megawatts) nos momentos de maior consumo. A previsão é que quando a linha entrar em operação, a capacidade de recepção da energia produzida pela binacional seja ampliada em 1,2 mil megawatts.
Samek também garantiu que a maior demanda do Paraguai pela energia produzida pela binacional não deve afetar o fornecimento para o Brasil. “O Tratado de Itaipu prevê que o país que precisar de mais de 10% da energia que já vinha utilizando é obrigado a avisar o outro sócio com antecedência. Neste caso, a quantidade possível de ser utilizada pelo Paraguai com a nova linha de transmissão será repassada em um prazo de até seis anos. O tempo é suficiente para que o Brasil se prepare”, comentou Samek ao descartar riscos no abastecimento.
Por causa da falta de estrutura e de investimentos no setor energético, o Paraguai utiliza menos de 10% da metade a que tem direito da produção de Itaipu, quantidade suficiente para atender 72,5% do consumo do país. O restante da produção em Itaipu é vendida ao Brasil. Em respeito ao tratado de cessão, que prevê o aviso antecipado da energia que passará a utilizar, serão repassados 200 MW por ano ao país vizinho.
O Paraguai sofre constantes apagões e não consegue avançar do desejo de industrialização do país. A segurança energética tem sido uma das bandeiras dos últimos presidentes paraguaios como Fernando Lugo – em cujo governo se acordou em julho de 2009 a construção da nova linha – e Federico Franco, que assumiu o Governo nesta quinta-feira (15). As estimativas de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) paraguaio para 2013 variam de 8% a 11% conforme o Banco Mundial e a Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe).