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Entidades debatem a inclusão de menores no mercado de trabalho

02 de novembro 2013 - 11h31 Por Redação Douranews
Entidades debatem a inclusão de menores no mercado de trabalho

“Trabalho precoce e desassistido não pode ser a solução para a sociedade”, afirmou a procuradora do trabalho Cândice Gabriela Arosio, titular em Mato Grosso do Sul da Coordinfância (Coordenadoria Nacional de Combate à Exploração do Trabalho de Crianças e Adolescentes), ao abrir a audiência pública promovida, em Dourados, para debater a inclusão de adolescentes como aprendizes no mercado de trabalho.

O evento reuniu mais de 150 pessoas, entre empresários, profissionais, entidades e instituições que atuam na promoção de cursos profissionalizantes, no auditório "Engenheiro Miguel Gomez", da Aced (Associação Comercial e Empresarial de Dourados), quarta-feira (30) à noite.

O debate foi proposto pelo MPT (Ministério Público do Trabalho) com apoio do Senai, Senac, Superintendência Regional do Trabalho e Emprego em Mato Grosso do Sul do Ministério do Trabalho, das Secretarias de Assistência Social e de Desenvolvimento Econômico de Dourados e do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente.

A coordenadora de aprendizagem profissional do Ministério do Trabalho em Mato Grosso do Sul, Izarina Lina Menezes Dias, explicou o que é aprendizagem e como a inserção dos adolescentes e jovens é realizada. A aprendizagem destina-se a adolescentes e jovens com idade entre 14 e 24 anos, matriculados em curso de aprendizagem profissional e admitidos por estabelecimentos com empregados regidos pela CLT (Consolidação das Leis do Trabalho). “A Constituição Federal proíbe o trabalho para jovens com menos de 16 anos, a única exceção é o trabalho como aprendiz”, destacou.

De acordo com a CLT, a cota de aprendizes é de, no mínimo, 5% e 15% no máximo, por estabelecimento, calculada sobre o total de empregados em funções que demandem formação profissional.

Programando o futuro

Gestores da Secretaria de Assistência Social do município apresentaram o projeto piloto chamado “Programando o futuro”, instituído para atender jovens com idade entre 14 e 17 anos, que estejam em situação de vulnerabilidade, preparando-os para futura inserção no mercado de trabalho, fortalecendo vínculos sociais e familiares. A iniciativa é pioneira em Dourados e vai formar a primeira turma em dezembro.

A secretária de Desenvolvimento Econômico, Neire Colmann, falou sobre o papel de aproximar esses jovens das empresas. Segundo ela, do início do ano até agora, mais de 3 mil trabalhadores já foram encaminhados pelo Ciat (Centro Integrado de Atendimento ao Trabalhador) para vagas no mercado de trabalho. “Agora será necessário criar um banco de dados específico para os jovens aprendizes”, acrescentou.

A aprendizagem, além de preparar o jovem para desempenhar atividades profissionais, permite às empresas formar mão de obra qualificada. Em todo o país, o MPT tem atuado para tornar efetiva a Lei de Aprendizagem, com o cumprimento da cota mínima de adolescentes e jovens aprendizes. Cândice destacou o papel articulador do MPT e citou o caso do curso de operador de colhedora ofertado a trabalhadores indígenas da região, em face da escassez de oportunidades de trabalho com o fim do corte de cana manual, como exemplo de ação positiva. “É preciso ter políticas públicas”, comentou.