Buscar quarta-feira, 2 de setembro de 2026
(67) 99913-8196
Dourados
27°C
Mundo

Berlusconi exige que Gaddafi cumpra cessar-fogo para mediação

24 de março 2011 - 12h21 Por Redação Douranews, com Reuters
Berlusconi exige que Gaddafi cumpra cessar-fogo para mediação

O primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, exigiu ao líder líbio, Muammar Gaddafi, que cumpra um "verdadeiro" cessar-fogo como condição imprescindível para que possa ter início uma fase de mediação diplomática.

Em entrevista telefônica publicada nesta quinta-feira pelo jornal italiano "Corriere della Sera", Berlusconi assegura que a operação militar dos aliados na Líbia tem o objetivo de "defender" a população civil e que a Itália não entrou nem quer entrar em guerra.

"Todos nos posicionamos no pedido a Gaddafi para um verdadeiro cessar-fogo. O fim das hostilidades por parte do coronel é a condição 'sine qua non' para qualquer mediação. Depois, se poderá abrir a fase da diplomacia", afirmou Berlusconi.

"Neste momento, ninguém pode dizer nada com segurança sobre o resultado e a duração da missão. Parece-me que a possibilidade de uma mediação ainda não está madura. Também pensa assim (o primeiro-ministro russo) Vladimir Putin. Gaddafi ainda acredita que pode sair vitorioso porque tem o controle pleno da capital", disse o premiê italiano.

O chefe do Executivo italiano minimiza o aparente desacordo que existe no seio da Otan sobre o papel que a Aliança deverá desempenhar na intervenção na Líbia, assegurando que a organização é uma "assunção cheia de responsabilidade" e que existe um "acordo de todos, salvo alguma resistência por parte francesa".

"Conseguimos não só a plena coordenação da Otan em todas as operações da missão, mas também a aplicação pontual da resolução da ONU. A coalizão se compromete a defender a população civil. A Itália não entrou em guerra e não quer entrar", avaliou Berlusconi.

OFENSIVA

Tiros de artilharia antiaérea e várias explosões foram ouvidas em Trípoli na manhã desta quinta-feira (24), segundo informações da agência France Presse, neste que é o sexto dia da ofensiva da coalizão internacional na Líbia.

A defesa antiaérea de Gaddafi começou os disparos por volta da 1h30, mas não foi possível determinar onde eles estavam acontecendo.

Trípoli foi alvo de ataques das forças aliadas por duas vezes na quarta-feira. De acordo com a TV estatal o segundo ataque da coalizão internacional sobre Trípoli ontem atingiu instalações militares no bairro de Tajoura, ao sul da capital.

A emissora diz garantir que os bombardeios sobre o bairro deixaram ainda muitos mortos civis.

ISOLAMENTO DE MISRATA

O regime do ditador líbio Muammar Gaddafi negou na quarta-feira ter isolado a cidade de Misrata, no oeste do país, onde trava batalhas contra os rebeldes.

"Ouvimos rumores de que o governo cortou de forma intencional o fornecimento [de água, luz elétrica e telecomunicações]. Mas é apenas um problema técnico causado pelos danos e saques", disse o vice-chanceler líbio Khaled Khaim.

Criticando a ação dos aliados internacionais, Khaim disse ainda que os rebeldes precisam aderir ao cessar-fogo.

"Acreditamos que o cessar-fogo diz respeito a todos, não só para o Exército do governo. Os rebeldes e as milícias armadas não deveriam ser beneficiados pelos bombardeios conduzidos pelas forças de coalizão. Os ataques aéreos deveriam ser interrompidos imediatamente", disse.

Os rebeldes denunciam que as tropas do governo têm como estratégia cortar as ligações de água, luz elétrica e telefones para isolar a cidade enquanto a atacam.

"Não cortamos", disse um alto funcionário da companhia estatal de água, Omar al Mislati, acrescentando que cerca de 70 mil pessoas em Misrata, que tem cerca de 300 mil habitantes, estão sem água há quatro dias.

Mais de 10 mil estão sem eletricidade desde o início dos fortes confrontos na cidade.

CONSELHO DE SEGURANÇA DA ONU

A posição do regime de Gaddafi chega horas após o Conselho de Segurança das Nações Unidas anunciar que deve rever as estratégias da coalizão na Líbia nesta quinta-feira.

O Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) revisará na quinta-feira o andamento das operações internacionais contra o regime de Muammar Gaddafi, uma semana depois da autorização do uso da força para proteger a população civil líbia e estabelecer uma zona de exclusão aérea.

Os 15 membros do principal órgão de segurança internacional se reunirão para ouvir um relatório do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, sobre a evolução do conflito na Líbia nos últimos sete dias.

A reunião desta quinta-feira já estava contemplada na resolução 1.973 adotada em 17 de março, na qual foi aprovado o uso de 'todas as medidas necessárias' para garantir a segurança da população civil ameaçada pelas forças de Gaddafi.

Por isso, o principal órgão de segurança desprezou na segunda-feira um pedido do ministro de Exteriores líbio, Musa Kusa, de uma reunião de emergência do organismo para deter os bombardeios da coalizão internacional.

Na sessão de quinta-feira espera-se que Rússia, China, Índia, Brasil e Alemanha, os cinco países que se abstiveram na quinta-feira passada, reiterem sua oposição à intervenção armada internacional no conflito líbio.

INVASÃO POR TERRA

O presidente americano, Barack Obama, rejeitou na quarta-feira uma invasão terrestre da Líbia para forçar a saída do ditador Muammar Gaddafi.

Em entrevista à rede de TV Univision, ao ser questionado a respeito de uma invasão por terra, Obama disse que esta alternativa está "totalmente fora de questão".

Na semana passada, Obama já havia dito que não tinha nenhuma intenção de enviar tropas terrestres à Líbia, e as novas declarações reforçam esse ponto de vista. O presidente disse ainda que a administração não pedirá fundos extras ao Congresso para financiar as operações aéreas, mas que deve utilizar recursos já aprovados anteriormente.

Obama disse ainda que os EUA irão deixar de lado o papel de liderança na campanha internacional, que visa impedir que Gaddafi ataque civis líbios.

Perguntado sobre qual será a estratégia americana de saída do país, o presidente americano respondeu: 'A estratégia será executada nesta semana, deixaremos aos poucos as ações concretas, mas continuaremos a desempenhar um papel de apoio'.

"Providenciaremos inteligência e outros recursos, mas esse é um esforço internacional que visa cumprir os objetivos definidos pela resolução do Conselho de Segurança da ONU", afirmou ainda Obama.