É preciso reexaminar o regime de segurança nuclear internacional após a crise no Japão, atingido por um terremoto e um tsunami que afetaram uma usina de energia atômica de Fukushima, afirmou o secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), Ban Ki-moon, nesta sexta-feira (25).
- A situação no Japão tem reforçado os apelos para que se revise o padrão de resposta internacional para emergência e o regime de segurança nuclear. Eu apoio esses apelos.
Temores de vazamento radioativo voltaram a assustar o Japão nesta sexta-feira, depois que trabalhadores sofreram queimaduras tentando resfriar a usina nuclear japonesa danificada por um terremoto, enquanto o governo mostrou-se confuso sobre a ampliação da área de isolamento em torno do local afetado.
Autoridades japonesas estimularam dezenas de milhares de pessoas vivendo num raio de 20 km a 30 km de Fukushima a se retirarem, mas garantiu que não está ampliando a área isolada de 20 km.
Primeiro-ministro diz que risco de acidente ainda é alto
O primeiro-ministro Naoto Kan, em sua primeira declaração pública sobre a crise nuclear em uma semana, disse que a situação no complexo de Fukushima, 250 km ao norte de Tóquio, "não estava nem perto do ponto" de ser resolvida.
- Estamos fazendo esforços para impedir que fique pior, mas não podemos ser complacentes. Devemos continuar com a guarda alta.
Os comentários refletiram uma ponta de preocupação do Japão após alguns dias de progresso, ainda que lento, na contenção de vazamentos radioativos causados pelo terremoto devastador e o tsunami que atingiram Fukushima duas semanas atrás.
Mais de 10 mil pessoas foram mortas e 17.500 continuam desaparecidas em conseqüência do desastre, de acordo com as últimas cifras da polícia. Mas mesmo estes números foram ofuscados pela possibilidade de uma destruição catastrófica da usina nuclear.
A China disse que níveis de radiação excessivamente altos foram detectados em dois viajantes japoneses que chegaram ao seu território.
Alta contaminação atinge três trabalhadores
Mais de 700 engenheiros vêm trabalhando em turnos o dia todo para estabilizar os seis reatores do complexo, mas se retiraram de alguns setores quando três trabalhadores que substituíam um cabo no reator 3 foram expostos a uma alta contaminação nesta quinta-feira (24), informaram as autoridades.
Dois foram levados ao hospital com possíveis queimaduras de radiação depois que água radioativa penetrou em suas botas, disse Hidehiko Nishiyama, representante da agência oficial nuclear do Japão.
- A água contaminada tinha 10 mil vezes o grau de radiação que seria encontrado em água circulando de um reator operando normalmente. É possível que haja dano no reator.
Mas Nishiyama afirmou mais tarde a repórteres que “pode haver algum vazamento de água dos canos ou das válvulas, mas não há dados apontando uma rachadura".
O quadro ficou mais confuso quando a Tokyo Electric Power Co, operadora da usina, disse ser possível que a água contaminada tenha vindo do núcleo do reator. Já Hideo Morimoto, diretor da Agência de Recursos Naturais e Energia do Japão, disse que o incidente no reator 3 não é sério.
A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) da ONU disse que um total de 17 trabalhadores receberam níveis elevados de radiação em Fukushima desde que a operação começou, mas que os outros 14 não sofreram queimaduras.