Na última segunda-feira (30), foi capturado na região ocidental de Barinas, na Venezuela, por uma ordem da Interpol, o guerrilheiro Guillermo Torres, conhecido como Julián Conrado. Membro do estado maior das Forças Amadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) há pelo menos 28 anos, o comandante será extraditado para a Colômbia, segundo as autoridades venezuelanas.
Com 57 anos, Conrado é um dos guerrilheiros que escapou do bombardeio colombiano em março de 2008 contra um acampamento rebelde na fronteira com o Equador. Na ocasião, morreram o comandante Raúl Reyes e outras 25 pessoas.
Capturado por policiais e membros do escritório antidrogas da Venezuela, a ONA (por sua sigla em espanhol), em uma fazenda, Conrado portava duas cédulas, uma colombiana e outra equatoriana, segundo o general Carlos Mena, chefe da direção de polícia judicial (Dijin).
De acordo com a polícia, ele teria várias acusações pendentes na Colômbia, tais como rebelião, homicídio, extorsão, sequestro e terrorismo.
A captura foi anunciada ontem (1) pelo presidente colombiano, Juan Manuel Santos, durante uma cerimônia militar. O informante que concedeu dados importantes para a captura de Conrado na Venezuela será recompensado, "embora não tenhamos o montante definitivo”, disse o diretor da Polícia Nacional, general Oscar Naranjo, que aguarda a extradição do guerrilheiro para os próximos dias.
Naranjo disse ainda que Conrado tinha oito ordens de captura nos Estados Unidos, onde uma corte de Nova Iorque o solicita sob acusação de narcotráfico. As autoridades norte-americanas oferecem recompensa de 2,5 milhões de dólares por informações que levam à captura ou localização dele.
Organizações sociais de todo o mundo já estão se mobilizando pela liberdade de Julián Conrado, quem consideram um lutador social que foi literalmente caçado por outro revolucionário, o presidente Hugo Chávez. Ativistas sociais repudiam o fato de que Contado será ‘entregue' à Colômbia, "lugar onde há mais de 7.500 prisioneiros políticos em paupérrimas condições”, pontua matéria da Anncol.
Segundo caso em menos de dois meses
Outro caso de deportação da Venezuela para a Colômbia ocorreu há menos de dois meses, no dia 25 de abril, com o jornalista Joaquín Pérez Becerra, de 55 anos. Ele foi detido em Caracas logo após sua chegada da cidade de Frankfurt, Alemanha. Embora o Estado colombiano o acuse de líder da "comissão internacional” das Farc na Europa, porque ele costumava reproduzir os comunicados da organização em seu site, Pérez rebate todas as acusações e afirma ser apenas um jornalista.
No dia da deportação, centenas de pessoas protestaram em frente à Chancelaria e em todo o mundo organizações lançaram manifestos expressando sua discordância em relação à atitude do governo da Venezuela. Até hoje as manifestações se perpetuam pediam a liberdade do jornalista.
"É extremamente grave que o governo da Venezuela se preste a uma operação de perseguição política e haja cedido à pressão do governo colombiano e do imperialismo”, disse a Esquerda Marxista do Partido dos Trabalhadores (PT), no Brasil. No mesmo sentido, escreveram comunicados o Partido Comunista da Grécia e a Fundação Cultural Simón Bolivar.
Em 1994, devido à repressão política e ao sequestro de sua esposa por paramilitares, Pérez conseguiu a cidadania sueca e, depois, renunciou à cidadania colombiana.