Caso aceitasse tratar-se no Brasil, Chávez poderia ser recebido pelo hospital Sírio-Libanês, que cuida do presidente paraguaio, Fernando Lugo. Vítima de um câncer linfático, desde agosto do ano passado Lugo comparece regularmente ao hospital paulistano. A vaga foi garantida pelo Executivo brasileiro, mas os honorários são pagos pelo país vizinho. Condição semelhante seria aplicada a Chávez. A diferença está em que Lugo não vê inconvenientes em que seu tratamento seja de conhecimento público.
As restrições a respeito da doença do mandatário venezuelano se devem à preocupação de seu governo em manter uma imagem forte, o que poderá ser fundamental para as eleições gerais do ano que vem. Além disso, pesa a precaução de evitar sinais que indiquem a possibilidade de Chávez não concluir o mandato. Rumores com esse teor contribuiriam para estabelecer um cenário de instabilidade social na Venezuela, tendo como combustível também as dificuldades econômicas. Além da inflação anual na casa de 30%, o país tem sofrido com cortes de energia e escassez de gêneros alimentícios.