Indígenas bolivianos marcham há mais de um mês pelo interior do país num protesto contra a construção de uma estrada de 300 quilômetros que atravessará a Amazônia.
Na noite de domingo, a polícia atacou com gás lacrimogêneo um acampamento dos manifestantes na região de Yucumo, 300 quilômetros ao norte de La Paz, deixando vários feridos leves e detendo vários líderes do protesto, segundo a mídia local.
A violência policial foi criticada por políticos de oposição, pelo ouvidor do Estado e por vários membros do governo, inclusive a ministra da Defesa, Cecilia Chacón.
"Não é assim! Concordamos em fazer as coisas de um jeito diferente", escreveu Cecilia na sua carta de renúncia, que foi publicada na imprensa local.
Já o ministro das Comunicações, Iván Canelas, disse que a polícia não teve escolha. "Esta marcha foi dissolvida porque havia se tornado fonte de violência", afirmou ele à Reuters.
Morales, primeiro presidente indígena da história boliviana, enfrenta a resistência de grupos nativos minoritários ao projeto da rodovia, que segundo ele melhorará a infraestrutura do país. A obra, de 420 milhões de dólares, será financiada em grande parte pelo Brasil.