Passado um mês do que classificou como ‘golpe de Estado parlamentar’ que o retirou do poder, o ex-presidente Fernando Lugo divulgou uma mensagem denunciando quem esteve por trás do episódio e chamando à reconquista da democracia. Lugo também pede à população paraguaia que reflita “se os golpistas que hoje estão no poder serão capazes de respeitar a decisão que sairá das urnas de abril de 2013”.
Lugo relembrou as 17 mortes em Curuguaty e deixou claro que o episódio foi usado para justificar a manobra dos parlamentares. "Os que tramaram contra o povo paraguaio esperavam que déssemos o passo em falso”, denuncia, lembrando que o interesse antes demonstrado na resolução do massacre, desapareceu.
O ex-mandatário também afirma que a integração soberana e transparente do Paraguai com a região foi atitude que incomodou aqueles interessados em uma “pseudo-integração” promovida pelos negócios ilícitos e pela narcopolítica.
Entre as medidas tomadas após a destituição de Lugo e que contrariam interesses populares, o ex-presidente cita a concretização de negócios com a multinacional Río Tinto Alcán, medida que, segundo ele, trai a soberania energética do país e os interesses da nação. Da mesma forma, o ex-mandatário cita a negação em implementar o imposto sobre a soja, o que fortalece um modelo de país para poucos. As centenas de demissões ilegais também já podem ser consideradas uma marca do novo governo, segundo ele.
Diante disso, Fernando Lugo assegura que não vai deixar de lutar para reconquistar a democracia. "Não vamos retroceder neste momento de luta pacífica para que volte a democracia a nosso país e se anule o ridículo julgamento político de 21 e 22 junho passado. Para que se respeitem as decisões tomadas democraticamente pelo povo”, afirma na mensagem.