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Vaticano registra 1.800 denúncias de pedofilia em três anos

06 de fevereiro 2013 - 12h15 Por Redação Douranews
Vaticano registra 1.800 denúncias de pedofilia em três anos

Nos últimos três anos chegaram ao Vaticano 1.800 denúncias de casos de abusos sexuais contra menores praticadas por clérigos, a maioria cometida entre 1965 e 1985, informou nesta terça-feira (5) o "promotor de Justiça" da Congregação para a Doutrina da Fé, Robert Oliver. O anúncio foi feito durante a apresentação do simpósio "Em direção à cura e à renovação" na Universidade Pontifícia Gregoriana, que tem como objetivo enfrentar o problema dos padres pedófilos.

O maior número de denúncias (800) foi feito em 2004. Oliver frisou que as acusações chegaram de todas as partes do mundo.

A congregação para a Doutrina da Fé, responsável por investigar estes delitos, enviou em 2011 a todas as conferências episcopais de todo o mundo um guia para enfrentar, de maneira "coordenada e eficaz", os casos de padres pedófilos.

O promotor disse que o guia recolhe as indicações do papa Bento XVI para enfrentar e fazer com que estes casos não voltem a ocorrer, entre elas "assistência às vítimas, proteção aos menores, formação completa nos seminários, apoio aos abusados e colaboração com a Justiça".

Oliver ressaltou que as autoridades religiosas têm que colaborar "obrigatoriamente" para elucidar os casos, pois a prática se constitui em um crime. O promotor acrescentou que, inclusive nos países onde esse aspecto não está regulado por leis específicas, "para a Igreja, continua sendo uma obrigação moral colaborar com as autoridades civis".

Durante o simpósio, foi anunciado a criação do Centro para a Proteção da Criança, com sede em Munique (Alemanha), por parte da Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma, da Universidade alemã de Ulm e da arquidiocese alemã de Munique.

No congresso, o cardeal William Levada, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, revelou que um total de 4 mil casos de abusos sexuais contra menores foram recebidos nos últimos dez anos e admitiu que a resposta da Igreja foi "inadequada".

Especialistas presentes no encontro disseram que ainda não existe um estudo em nível mundial, mas que só nos EUA estima-se que o número de crianças vítimas de abusos sexuais por clérigos chega a 100 mil. Há também há centenas de registros do crime em países como Irlanda, Alemanha, Austrália, Áustria, Bélgica, Brasil, Canadá, Chile, Índia, Holanda, Filipinas e Suíça, entre outros países.