Submetido à força pela polícia a passar por procedimentos médicos invasivos e por várias sondas anais contra a sua vontade, um homem do Novo México, nos Estados Unidos, deve receber US$ 1,6 milhão após chegar a um acordo judicial com autoridades no Estado, de acordo com informações da agência RT.
O processo foi movido por David Eckert contra o condado de Hidalgo e a cidade de Deming. De acordo com o jornal local KOB TV, o condado deverá pagar US$ 650 mil, enquanto que a parte do município ficou em US$ 950 mil. Eckert também processou os médicos e o hospital envolvidos, mas não houve acordo, e o caso deverá ser levado para julgamento.
Abordado por conta de uma violação simples de trânsito, policiais suspeitaram que Eckert estivesse transportando drogas no ânus. A suspeita surgiu depois de usarem um equipamento supostamente especializado em detectar entorpecentes escondidos, chamado unidade K-9 (descobriu-se após o episódio que o material estava com o vencimento expirado).
Com isso, os policiais conseguiram um mandado para que fosse feita uma revista. No entanto, após a recusa de um hospital em realizar o procedimento por razões éticas, os policiais violaram a jurisdição do mandado e levaram o suspeito para outro local.
No Gila Regional Medical Center, a equipe médica realizou oito procedimentos separados em Eckert, contra sua vontade, incluindo dois exames por toque e uma colonoscopia. Nenhum deles detectou a presença de drogas no organismo do paciente.
“Isso foi contra a ética médica e inconstitucional”, disse seu advogado, Shannon Kennedy, àAP. “Ele (cliente) se sente aliviado que isso acabou e acredita que este processo talvez garanta que isso não aconteça com outra pessoa”, completou.
O caso de Eckert causou uma reação em cadeia na região, e episódios similares foram revelados. O equipamento usado pelos policiais para procurar drogas com os suspeitos, o K-9, se mostrou equivocado em várias ocasiões, que acabaram tendo o mesmo desfecho: revistas e procedimentos médicos invasivos, sem a descoberta de drogas.