comandante da Minustah no Haiti, passa orientações para a tropa — Arquivo Pessoal
O Haiti enfrenta um momento politicamente delicado. O atual presidente, Michel Martelly, já disse que deixará o poder no dia 7 de fevereiro. A esta altura, o haitiano já deveria ter escolhido o sucessor, mas uma série de manifestações e de acusações de fraude no primeiro turno das eleições provocou o adiamento do segundo turno por duas vezes.
As manifestações, convocadas pela oposição, exigiam também a renúncia dos membros do Conselho – organismo que, segundo os oposicionistas, favorece o candidato oficial. Cinco de seus nove integrantes já renunciaram. Um sexto membro foi suspenso sob acusação de corrupção.
Em meio a essas divergências políticas, as forças de paz da Organização das Nações Unidas (ONU), conhecidas como Missão de Estabilização da ONU no Haiti (Minustah), tentam manter a ordem, auxiliando as autoridades locais. Em entrevista à Agência Brasil, o general brasileiro Ajax Porto Pinheiro, comandante da Minustah desde outubro do ano passado, descreveu o turbulento cenário que vê nas ruas e na política haitiana.
“As manifestações políticas aqui são violentas, sempre foram. Para virar um conflito maior, é muito rápido. E no Haiti tudo pode mudar a qualquer hora”, explicou o comandante. Segundo ele, o adiamento do segundo turno das eleições, apesar de ser da vontade da oposição, trouxe mais tensão ao país. Em vez de conviver apenas com manifestações da oposição, o país enfrenta agora protestos contrários e favoráveis ao governo.