Um fato muito curioso marcou os Jogos Olímpicos de 1900, em Paris. Numa prova de remo (dois com), a dupla holandesa composta por François Brandt e Roelof Klein usou como timoneiro um menino francês. Ele chegou a ser fotografado com os vencedores que ajudara, mas desapareceu antes da entrega das medalhas. O nome da criança até hoje é um mistério. Especula-se que ele tivesse 8 anos, o que seria recorde de atleta olímpico mais jovem.
Se pudesse ser confirmada a idade, o pequeno francês recrutado em cima da hora superaria um ginasta grego de 10 anos que competiu em Atenas, nos Jogos de 1896, e um skatista britânico de 11 anos, que disputou competição em Los Angeles, em 1932. Porém os Jogos de 1900 não se preocuparam com a burocracia, como o preenchimento de formulários de inscrição. Muitos atletas sequer sabiam estar competindo num evento chamado Jogos Olímpicos.
"Este é o grande mistério da história olímpica", disse David Wallechinsky, escritor e presidente da Sociedade Internacional de Historiadores Olímpicos, de acordo com o "Wall Street Journal". "O garoto simplesmente desapareceu na multidão e nunca mais se ouviu falar dele", acrescentou Wallechinsky.
O menino franzino, de menos de 1 metro e meio de altura, intriga historiadores há décadas. A única foto em que ele aparece foi amplamente divulgada a fim de que alguém pudesse reconhecê-lo. Nada.
Na década de 1980, Bill Mallon, historiador oficial do Comitê Olímpico dos EUA, entrevistou uma das filhas de um dos remadores holandeses, que morava na Flórida. Ela disse que o pai não tinha ideia de quem era o timoneiro mirim.
Cinco anos atrás, entretanto, o historiador e jornalista da Geórgia (ex-república soviética) Paata Natsvlishvili disse ter resolvido o mistério após pesquisa exaustiva. O menino foi identificado como Giorgi Nikoladze, filho de pais ricos que estavam viajando pela Europa à época dos Jogos.
A teoria de Natsvlishvili foi baseada numa revelação feita pela irmã de Giorgi, que afirmou que menino "vencera uma corrida de barcos na França". Mas o georgiano não convenceu outros historiadores. A prova apresentada por ele foi considerada apenas "circunstancial".
"Isso é um mistério e continua sendo um mistério", declarou o historiador holandês Anthony Bijkerk, que descobriu a foto que registra o pequeno timoneiro ao lado dos remadores compatriotas.