O colapso do Afeganistão, que voltou às mãos radicais do Talibã, mostrou também uma faceta do turismo internacional. De altíssimo risco. Como o caso do universitário britânico Miles Routledge, de 21 anos, que decidiu visitar o país asiático poucos dias antes da tomada do poder pela milícia fundamentalista. Por sorte, ele acabou resgatado e levado em segurança para uma instalação da ONU, de acordo com relato dele em rede social.
Mas o que leva uma pessoa a passar férias num dos países mais perigosos do mundo? Exatamente pela "aventura" de estar em lugar nada seguro. A ideia é mesmo sair da zona de conforto e passar dificuldades, que podem pôr até a vida dos turistas em risco.
"Eu estava totalmente preparado para a morte, e já tinha aceitado isso", disse Miles por meio de uma plataforma de vídeos onde documenta a epopeia em turbulentas terras afegãs.

O britânico não está sozinho no gosto pelo perigo. Muitos são atraídos pela sensação de cruzar a "última fronteira". Foi o que aconteceu com a influencer britânica Jolie King e o namorado, o australiano Mark Firkin, em 2019, quando estavam em Teerã (Irã). Eles foram presos e enviados a uma cadeia com fama de brutal por estarem brincando com um drone. Apesar do drama, a história teve final feliz. O casal foi expulso e comemorou a volta à Austrália.
O compatriota Andy McGinlay, que já viajou para mais de 100 países, desenvolveu gosto especial por lugares perigosos. Entre 2010 e 2015, ele visitou Síria, Iraque, Irã, Afeganistão e Coreia do Norte, nações ao estilo "por sua conta e seu risco" de turismo.

Em 2010, no meio do caos civil em Bangcoc (Tailândia), lá estava Andy na capital do país asiático. A série de locais inóspitos para conhecer começou com o Iêmen, que vive guerra civil e é berço de extremistas islâmicos, em 2004. Tudo pela "descarga de adrenalina", confessou ele.
"Você fica completamente atento aos movimentos e sons ao seu redor", completou.
A sensação de ser seguido por agentes de Inteligência é constante. Aconteceu com Andy em alguns momentos de suas viagens. Para o viajante Andrew Barber, também do Reino Unido, a suspeita se concretizou. Ele acabou preso por 58 dias no Irã sob acusação de espionagem. Tudo porque ele tirou uma "suspeita" foto do pôr do sol perto de uma usina de energia. Para complicar, Andrew tinha estado no Iraque, o arquirrival de Teerã. Por sorte, a acusação foi retirada.
Sorte que faltou ao turista americano Otto Warmbier, preso em 2016 na Coreia do Norte por furtar um pôster de propaganda do regime comunista. Foi torturado e condenado a 15 anos de trabalho forçado. Acabou libertado um ano depois, em coma. Morreu em 2017.
