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Como o El Niño afeta milhares de crianças

Fundo da ONU avalia riscos à saúde, educação e consequências

08 de outubro 2026 - 07h48 Por Agência Brasil
Como o El Niño afeta milhares de crianças Os efeitos da guerra não se comparam nessa situação — Unicef

Uma nova análise do Fundo das Nações Unidas para a Infância (o Unicef) alerta que crianças e adolescentes podem sofrer com os impactos do El Niño 2026–2027. O fenômeno chega ao Brasil onde mais de 30 milhões de crianças e adolescentes, seis em cada dez, já estão expostos a dois ou mais riscos climáticos.

Desses, 16 milhões convivem com três ou mais riscos. Segundo o Unicef, eventos recentes mostram como extremos podem interromper direitos: em 2024, as enchentes no Rio Grande do Sul afetaram a educação de 741 mil estudantes, enquanto a seca extrema na Amazônia atingiu outros 436 mil. No total, 1,17 milhão de crianças e adolescentes tiveram as aulas interrompidas.

O El Niño é parte de um ciclo natural nas temperaturas do Oceano Pacífico equatorial, caracterizado por temperaturas mais altas do oceano que influenciam padrões de chuva e temperatura em diferentes partes do planeta.

Com as mudanças climáticas e a degradação ambiental causadas pela ação humana, as consequências do El Niño têm se agravado a cada novo ciclo. Esses impactos estão relacionados com outros fenômenos meteorológicos, as condições ambientais, as vulnerabilidades existentes e a capacidade dos serviços públicos de se preparar e responder. Ocorre em média a cada dois a sete anos.

“Preparar o Brasil, portanto, não significa apenas atravessar o ciclo de 2026–2027, mas construir uma rede de proteção capaz de responder aos próximos El Niños e a outros eventos extremos, com crianças, famílias e serviços essenciais mais protegidos do que no passado”, diz o Unicef.

No Brasil, o alerta ganha urgência diante das previsões mais recentes. Boletim divulgado em setembro por órgãos oficiais aponta mais de 90% de probabilidade de o fenômeno atingir intensidade muito forte no trimestre setembro-outubro-novembro.

Para o período, há tendência de chuva abaixo da média em grande parte do Norte e Nordeste e acima da média especialmente no Sul, além de temperaturas acima da média em praticamente todo o país. Calor e estiagem também podem prolongar condições favoráveis às queimadas em áreas do Centro e do Norte.

Danilo Moura, especialista em Clima e Meio Ambiente do Unicef no Brasil, explica que o dado meteorológico mostra onde pode chover mais ou menos e onde o calor ou a seca podem se intensificar. Segundo ele, o papel do Unicef é olhar para o que acontece quando esse extremo chega à vida de uma criança. Uma seca pode significar falta de água segura, fumaça, dificuldade para chegar à escola ou ao posto de saúde.