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Opinião

A renúncia de Marisa e votos dos eleitores

28 de junho 2011 - 18h56 Por José Tibiriçá
A renúncia  de  Marisa  e votos  dos eleitores
A ex-professora Maria Joaquina Marisa Serrano, bela-vistense, foi empossada ontem, dia 27 de junho de 2011 como Conselheira do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul, após ter renunciado ao mandato de senadora da república, a qual foi eleita por 08 (oito) anos, tendo jurado no dia da sua posse que iria cumprir o mandato outorgado em 2006 pelos sul-mato-grossenses. Ao ser candidata sua chapa foi composta com os seguintes suplentes: Antônio Russo Neto, paulistano,70 anos, ligado a frigoríficos e o segundo suplente, o advogado Ruben Figueiró de Oliveria, rio-brilhantense que completará 80 anos no dia 03 de outubro de 2011 e exerceu vários mandatos eletivos, aposentou-se no Tribunal de Contas do MS. O atual conselheiro do TCE Waldir Neves, que exerceu também vários mandatos eletivos, chegou à câmara federal, trocou esta pelo TCE, mas também jurou na sua posse completar o mandato que a população lhe outorgara. No período que antecedeu a escolha dos suplentes de Marisa ele descarregou a metralhadora contra Antonio Russo Neto, desqualificando-o para o cargo de suplente por isso e por aquilo, mas seus argumentos não prosperaram.

Antônio Russo Neto chega ao Senado da República afirmando que irá defender a classe ruralista no Congresso, conforme foi noticiado pela nossa imprensa e  em meio a desconfiança desse mesmo segmento que o empresário tomará posse. Ele nasceu na cidade de São Paulo, em 14 de julho de 1941, em 1957,  começou sua carreira profissional trabalhando no tendal de distribuição de carne para açougues no bairro da Lapa, em São Paulo. Dois anos depois, Antônio abriu seu primeiro açougue no mesmo bairro e depois de muitos anos chegou a onde está.

“O ex-presidente da Acrissul, Chico Maia, por exemplo, classificou como um "desrespeito" a possibilidade de Russo se tornar senador. “Parece filme de ficção quando uma pessoa deste comportamento é premiada. O cidadão que causou um rombo de R$ 2 milhões numa categoria que dá duro para ter um produto bom para vender ir para um cargo importante como o Senado é uma inversão de valores”, afirma.

Nós eleitores sempre somos traídos por alguns políticos que após eleitos, trocam o mandato por cargos em secretarias municipais, estaduais e federais para atender muitas vezes compromissos de campanha do executivo, cedendo a vaga para os não eleitos. Vejamos o caso do senador Delcídio Gomes do Amaral que formou uma chapa composta do primeiro suplente, professor Pedro Chaves dos Santos Filho, campo-grandense, que antes de vender a Universidade do Pantanal – UNIDERP para o grupo da AÑANGUERA, assumiu no dia 26 de agosto de 2006 a direção do Projeto Rondon no Estado de Mato Grosso do Sul, não sei quem foi seu padrinho. Antônio Russo Netto nasceu na cidade de São Paulo, em 14 de julho de 1941. Em 1957, Russo começou sua carreira profissional trabalhando no tendal de distribuição de carne para açougues no bairro da Lapa, em São Paulo. Dois anos depois, Antônio abriu seu primeiro açougue no mesmo bairro. Estive na  posse a convite do professor João Sandes com o qual trabalhei no Projeto Rondon  de agosto de 1974 a 15 de agosto de 1976. Fui Coordenador de Área da Região Sul, com sede na UEMAT, em Campo Grande. Dali saí, porque o órgão foi extinto antes da divisão do Estado de Mato Grosso, ingressei através de concurso na Telemat e só saí  em 16/06/1999, devido à privatização do sistema em 29/07/1998.

Até hoje não sei mais quem dirige o Projeto Rondon no nosso Estado, nem onde é o seu endereço atual, onde deixei vários documentos para compor o seu acervo. Muitas vezes os políticos alçam cargos indicados, interessados em algum projeto futuro e o suplente é um estepe, o primeiro como se comenta,  deve ter muito dinheiro, pois eles ajudam a financiar a campanha do candidato e lá na frente é premiado. Se analisarmos o quadro presente está esclarecido o conto, pois Pedro Chaves, primeiro suplente de Delcídio é um homem muito rico, Antonio Russo Neto, ex-primeiro suplente de Marisa, ligado à pecuária, um dos donos do Frigorífico Independência de Nova Andradina, homem do mesmo partido de Londres Machado, seu guru político. A professora Zonir Freitas Tetila, douradense, é professora universitária aposentada e milita na política há muitos anos.

Não sei quem é o primeiro suplente do Waldemir Brito Miranda dos Santos, conhecido como Moka, se possui alguma fortuna, quanto ao senador Moka, sei que veio das camadas mais humildes, fomos colegas no magistério, ela fazia o segundo ano de Medicina em 1974, lecionava biologia e eu cursava o quarto ano de Letras com Inglês, fomos professores no Colégio Moderno Campo Grandense.

O problema não é o financiamento de campanha, mas os eleitores que veem no naquele daquele candidato o seu perfil, como a pessoa preparada para representá-lo na Câmara Alta (Senado). O recomendável, seria primeiro terminar o mandato e depois aspirar outro cargo, pois muitos se apresentam como opção, são eleitos, não terminam o mandato, tentam outro no meio do caminho, então traiem os seus eleitores. O que se vê hoje são interesses pessoais, não ouvem suas bases, principalmente seus eleitores e como castigo os eleitores não o elegessem para outro cargo sem terminar o primeiro.                          Quanto ao Tribunal de Contas é o local aceito por aqueles políticos já em final de carreira, sempre para acomodar alguém e trabalhar em favor de quem o indicou. No presente caso para abrir um espaço, remover uma barreira para quem deseja chegar até lá, mas o que se preocupa é a falta de experiência do novo senador, não sabemos qual é a formação dele, não basta entender de gado, pois ele deve ter conhecimento jurídico, afinal vai mexer com leis.

Para que esta farra acabe, deveria haver uma mudança na reforma política que acontecerá, não sabemos quando, pois não pode ser um curral de um só, de um governador que manipula o poder legislativo, põe quem ele quer e a maioria abaixa a cabeça, não tem independência. O deputado Antonio Carlos Arroyo, cujas lágrimas derramou, talvez inundou algum arroio que nasce próximo da Assembleia, certa vez ele foi orientado, juntamente com o atual presidente da Assembleia Legislativa, Jerson Domingos, via governador Andrea Pucchinelli a apresentarem uma emenda quando se almejava trazer uma das sedes da copa do mundo de 2014 para Campo Grande. Trouxeram para nosso estado por razoável quantia em dinheiro, além do ex-jogador do Santos e da seleção de 70, Carlos Alberto Torres, Maria Botelho da Silva. Através do projeto apresentado, mudariam o nome da rodovia de Dourados para Itaporã, de Pedro Palhano para Luiza Botelho da Silva, nascida ali, mas das duas vezes que esteve aqui saiu com a algibeira cheia de dinheiro e depois que atravessa o rio Paraná não conta para ninguém que  nasceu em Pedra Bonita. Achou mais bonito acrescentar ao seu nome Luiza o sobrenome francês, pois soa melhor, sendo apelidada de Luiza Brunet.

A brava família Palhano não engoliu o sapo, bateu de frente através da imprensa com o governador e seus comandados e mostrou que nesta terra não se pode brincar com homem sério como Pedro Palhano por uma figurinha qualquer que tem vergonha de dizer que nasceu perto da Lagoa da Tonheta em Itaporã, local onde existiam muitas mariposas frequentando casas da jacutinga. O governador que é italiano de nascimento, percebeu que o tiro ia sair pela culatra, orientou então aos seus dois soldados rasos, os dois deputados acima citados que retirassem o projeto. O deputado Arroyo até foi muito delicado e pediu desculpa pelo ato ignorante, afinal ele veio do interior do Estado de São Paulo e casou-se com uma pantaneira e possui uma fazenda em Duque Estrada, Município de Miranda.

Muito alvissareira a atitude tomada pelos dissidentes do PT de Dourados com relação aos caciques do partido, noticiado nos jornais locais, cujo projeto de coligação entre o PT e DEM apenas interessou a meia dúzia, cujas pessoas, sempre viram no DEM a presença do diabo. Curvaram-se para atender interesses de sobrevivência política, via senador Delcídio, para alojarem companheiros em cargos municipais, de primeiro e segundo escalão. Como dizem os dissidentes, jogaram na lata de lixo a ideologia, apesar de que muitos deles a nível de Brasil se sujaram como mensaleiros, sanguessugas e doleiros de cueca. Sem ideias próprias, agora se seguram em moletas, nos ombros, nos braços daqueles que sempre combateram. A partir dos erros que não são antigos, surgiram as dissidências que se alojaram no PT do B, PSOL, podendo aparecer outros, diante do escândalo palocci.

O ideal seria o eleitor antes de votar em alguém, analisar o seu curriculum e perguntar aos mais experientes sobre seu passado para entender  o jogo de xadrez da eleição da próxima eleição, para não ser surpreso a cada dois anos, quatro anos como vem acontecendo. Bom seria que a eleição para vereador, prefeito deputado estadual, federal, senador, presidente e vice fossem na mesma data e que na falta do titular, assumisse o segundo mais votado, estaria concretizando a vontade popular  da maioria.

Dourados-MS, 28 de junho de 2011.

José Tibiriçá Martins Ferreira é advogado e produtor rural