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Opinião

Duplicar a rodovia Dourados/Universidades já é projeto pronto no imaginário de todas as pessoas de b

20 de setembro 2011 - 20h42 Por ACM DO MS
Duplicar a rodovia Dourados/Universidades já é projeto pronto no imaginário de todas as pessoas de b

A mesma pista que traz o estudante motivado pela duplicação de suas oportunidades, a mesma rodovia que da acesso ao esperançoso em duplicar seu conhecimento intelectual.

A mesma BR que assiste o jovem que acabou de realizar um interurbano para seus familiares dizendo que está a caminho da faculdade e logo retornará para a realização do sonho de toda uma família.

Por lá transitam a esperança, a motivação, a certeza, a realidade, a inteligência, a competência, o progresso moral e intelectual.

Nesta precária trajetória da mudança de vida é a mesma trajetória da morte.

Por onde se cruza a cultura e o conhecimento armazenado na mente dos grandes mestres, dos pós graduados, dos doutores, dos funcionários, dos administradores e de tantos outros colaboradores.

Nesta mesma linha geográfica, nestas mesmas coordenadas, é onde ziguezagueiam entre a ânsia dos que querem saber e as grandes carretas carregadas com mais de 45 toneladas de cana para Usinas, e a mesma que assiste o ronco dos potentes motores de apressados empresários do campo com suas turbinadas camionetes do ano, é onde cargas e cargas de soja, milho, feijão, boi para abate, máquinas enormes transitando rumo a outras colheitas.

Meu Deus!  Quando será que apenas um dos nossos “grandes” representantes políticos irão chamar pra si o compromisso de alavancar recursos já canalizados para duplicação de vinte ou trinta kilometros de rodovia que muito rapidamente está se tornando notícia semanal de vidas que estão sendo ceifadas e outras vidas que ficam totalmente desesperançosas por saberem que tudo o que está acontecendo poderia e pode ainda evitar apenas com tomada de decisão, apenas com habilidade de gestão administrativa. Dinheiro sabemos não é o problema porque todos os dias vemos a contabilidade milionária das notícias muito bem elaboradas por assessores preparados para ludibriar as mentes receptivas.

Meu Deus (estou apelando pra Deus mesmo!), será necessário falar do volume de pessoas que circulam por ali todos os dias? Será possível ter que dizer da instituição e empresas importantes que se instalaram naquele trecho? Será que o volume de gente muda a importância em ter ou não urgência em construir uma duplicação simples apenas para que os veículos que vão sejam protegidos pelos que vem e assim a chegada ao destino será a certeza de que no final da tarde estejam com seus objetivos cumpridos e motivados para o dia seguinte. Será que se passasse por ali apenas um ser humano e ele fosse ceifado pela irresponsabilidade dos nossos homens públicos, isso mesmo, estes que simpaticamente nos abraçam nos dias que antecedem as eleições nos fazendo números dentro de suas matemáticas eleitoreiras...

O que estamos vendo? Estudantes serem esmagado. E, parafraseando El Pacino no filme Perfume de Mulher: Podem amputar braços, pernas, mas nunca poderá amputar o espírito, a alma,  daqueles que foram vitimados pelo descompromisso dos nossos representantes, que sabem quando e onde tiram suas canetas de grandes marcas, nos compromissos previamente preparados, com as potentes máquinas fotográficas dando destaque em todos os periódicos que possam dar destaque a mais uma de suas falácias de que acaba de conseguir mais tanto milhões para construção da obra tal.

O que é um velório a mais? Apenas um jovem que morre! Apenas um soldado que vira estatística matemática e matéria dos cadernos policiais.

O que é um pai de família no chão? Apenas uma grande notícia pelos competentes locutores especializados com sua dicção radiofônica tirar dos mais longevos recantos, lagrimas de quem nem conhecia quem morreu.

Confesso que, articulista que sou, assessor do agronegócio, assistente administrativo em uma grande empresa rural, penso que alem da catástrofe de tantas mortes, ainda tenho que me alegrar que por ali obrigatoriamente passem as commodities em forma de grãos: soja, milho, arroz, feijão, cana, aveia, rolão para ração, e isso é riqueza, riqueza que sustenta e dá suporte aos que estão se preparando para um futuro promissor como veterinários, médicos, agrônomos, professores, nutricionistas, webdesigner, administradores do agronegócio, engenheiros eletrônicos, e outros tantos importantes na formação intelectual que farão dos nossos dias futuros muito melhores do que se passaram.

* O autor é consultor de Agronegócios