Primavera nos remete à ideia do desabrochar de flores, mas também significa renovação. E por isso, primavera foi o nome dado a algumas revoluções. Revoluções essas que mudaram o rumo da história mundial, tais como a Primavera de Praga, Primavera Árabe e a Primavera Espanhola. Revoluções em que a população se manifesta por uma renovação política e social.
Em 1968, Alexandre Dubcek, chefe de estado da então Tchecoslováquia liderou o movimento de intelectuais cujo objetivo era modificar as estruturas políticas, sociais, econômicas e culturais daquele país. Levando o nome de Primavera de Praga, o movimento visava abrir o Partido Comunista humanizando o socialismo. Os comunistas deveriam agir pensando mais em si e não nos ditames do regime socialista soviético.
A URSS incomodada com as mudanças causadas pela Primavera de Praga, desmontou o movimento e Dubcek foi levado à Moscou, e julgado. A população Tcheca manteve-se posicionada a favor de seu líder. Contudo, a lealdade do povo não foi capaz de impedir que a linha dura soviética restabelecesse o estado stalinista, a qual acabou empossando no lugar de Dubcek, Gustáv Husák um ano depois do início da Primavera de Praga.
Mais de 40 anos depois da Primavera de Praga, com início em dezembro de 2010, a Primavera Árabe desabrochou no Egito onde a população decidida a tirar do poder o ditador daquele país, tomou as ruas e praças com manifestações que duraram semanas. Até que, o então ditador Hosni Mubarak se viu sem saída e renunciou ao cargo que ocupava há quase 30 anos.
As manifestações seguiram para o norte africano e Oriente Médio, polinizando Tunísia, Egito, Líbia, Iêmem e Síria. Egito e Tunísia concluíram com êxito seus objetivos. E agora a população da Líbia se vê sob a incerteza do paradeiro do ditador Muamar Gaddafi, que com sua resistência para sair do posto, conseguiu ceifar a vida de mais de 2.000 mil pessoas entre ataques de rebeldes e manifestações populares.
Já na terra de Miguel de Cervantes, a primavera chegou em maio deste ano, quando jovens de toda a Espanha se uniram nas praças do país manifestando por melhores condições de trabalho e melhor remuneração para os qualificados e, contra a alta taxa de desemprego.
Todas essas manifestações surgiram como uma alternativa contra o Capitalismo selvagem que vem degradando todos os continentes, corrompendo a moral das sociedades. Mesmo sem êxito em algumas manifestações, a população mostra-se unida sem mostrar sinais de que irá desistir tão já daquilo que almeja. Todos unidos por uma melhoria social, uma economia mais humana e uma vida digna.
"Os poderosos podem matar uma, duas ou três rosas, mas jamais conseguirão deter a primavera inteira." Che Guevara
Jay Miyasato é acadêmico de Relações Internacionais e articulista do Centro Universitário Anhanguera de Campo Grande