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Opinião

“...Só ela...? E o resto...?!”

06 de fevereiro 2012 - 19h04 Por Waldemar Gonçalves - Russo
“...Só ela...? E o resto...?!”

Ao receber uma nota de imprensa versando sobre o episódio ocorrido em Dourados que resultou na prisão da advogada Falconeri Prestes, de 33 anos, residente na avenida Marcelino Pires, no centro da cidade, acusada de um suposto crime de extorsão no valor de 1 milhão e 600 mil reais tendo como vítima, o empresário Laércio Padoin, um filme veio em minha mente, claro, referente ao assassinato do pai do rapaz, o empresário Elvezir Padoin, ocorrido na tarde do dia 26 de abril do ano passado em frente a sua casa, cuja investigação sobre o caso, em um artigo que fiz e foi publicado em vários sites, já previa que as autorias (pistoleiros sempre agem com dois ou mais algozes) e principalmente o mandante -ou seriam mandantes- jamais seriam identificados.

Nesta triste realidade acima da morte do empresário que entrou para o roll dos crimes de pistolagens que aconteceram na cidade e que não foram esclarecidos pela polícia até hoje, ao ler a nota de imprensa sobre a suposta ação da advogada, tive de sobressalto uma pergunta que não quer calar:

“Seria só ela a única envolvida neste episódio do crime de extorsão ao filho do falecido ou a mesma estaria segurando a bronca de alguém que quer porque quer, receber a grana do finado chefe da família Padoin...?!”.

Essa pergunta fica encravada na minha memória, pois de acordo com a nota do DEFRON que vou transcreve-lá abaixo na integra para os leitores, uma vez que imprensa nenhuma o fez, principalmente a impressa, claro, após fazer algumas correções, em minha opinião, entendo que por mais inteligente ou que seja uma suposta “vigarista” que não acredito que seria, a “doutora” advogada não teria assim uma capacidade ou força para forçar o filho do empresário assassinado a lhe entregar a grana assim como duas propriedades rurais da família do rapaz.

Diante deste lamentável episódio contra a família Padoin que ainda sofre a perda do chefe, tenho uma leve impressão que este valor cobrado pela advogada na suposta extorsão, deve ter sido -já corrido após quase dez meses do assassinato do chefe- o preço de sua morte, ou não ?!.

Como não houve jeito de receber a grana do velho Padoin e o jeito foi decretar a sua morte, mesmo porque é sabido que ele estava há poucos dias antes de ser morto, convocado pela Justiça para ser testemunha de acusação de um crime de extorsão contra dois homens fortes, um deles, um fiscal, entendo que os interessados agora voltaram as suas armas para o filho, que seria o Laércio Padoin, ou não !?.

Se este valor da suposta extorsão foi o preço da vida de Elzevir Padoin não podemos afirmar, mas uma coisa é mais do que certa: O Laércio Padoin tem de se precaver, senão, assim como ocorreu com o Elzevir Padoin e com outras personagens da cidade que tiveram o mesmo destino, o cemitério, ele corre o risco de ir ver Jesus também, pois se tem uma coisa que este “povo” não tem é pressa, e assim como ocorreu com o seu pai, mais dia, menos dias, eles, os pistoleiros a mando de alguém com certeza, poderão lhe dar um “presente de grego” como deram na cara dura para o chefe-maior de sua família, disso não tenho nenhuma dúvida...!

Com este episódio, o Laércio Padoin e os demais membros de sua família após o assassinato de seu pai, somente terão sossego quando tudo for esclarecido, com os pistoleiros e suposto mandante ou mandantes sendo oficialmente descoberto, mas isso para acontecer deverá haver muita vontade por parte dos organismos policiais que estão à frente do caso, muito embora volte a repetir, que assim como vários casos de pistolagens foram parar nas gavetas e caíram no esquecimento, este com certeza está indo - se já não foi - também.

Leia abaixo na integra a nota sobre a prisão da advogada que foi enviada a imprensa na sexta-feira passada, mas que poucos órgãos de comunicação da cidade e até mesmo da capital do Estado deram atenção ao fato, talvez por entender que a vida do empresário assassinado e a segurança agora de seu filho e de sua família não valem um vintém, muito embora a mulher na qual fosse em cana, tenha exigido 1 milhão e 600 mil reais para o rapaz antes de cair nas garras da polícia.

NOTA NA INTEGRA

Às 16h30 ontem (sexta-feira passada), foi presa pela DEFRON a advogada Falconeri Prestes, 33 anos, moradora na avenida Marcelino Pires, centro, após ela ser acusada de extorsão, tendo como vitima, o empresário Laércio Padoin, de 39 anos.

No ultimo dia 25 ela entrou em contato com Laércio Padoin e disse que tinha documentos que incriminariam ele e toda a família.

Ela era advogada do Euzevir Padoin, que foi assassinado em 26 de abril no ano passado com vários tiros na porta de sua casa.

Ela quis dinheiro pra não divulgar. Ela disse que era amiga de PFs e do doutor Odilon de Oliveira e que queria hum milhão e 600 mil reais.

No dia 25 eles se encontraram em frente ao shopping Avenida Center, onde ela contou a história ao filho do empresário assassinado.

No dia seguinte, novo encontro em frente ao Ceper do BNH 2º Plano, e ali ela entregou algumas cópias para Laércio Padoin e disse que tinha mais supostos documentos em seu poder.

Era para ele agilizar.

No dia 1º de fevereiro, a advogada e Laércio Padoin se encontraram na igreja católica da Weimar Torres com a Coronel Ponciano, e ela exigia o pagamento rápido.

O rapaz alegou que não tinha, e ela pediu 200 mil e duas propriedades rurais, sendo uma em Dourados e a outra na região de Bonito.

No dia seguinte, eles se encontraram, desta vez na casa do retiro, as margens da BR-163, perto do trevo da bandeira, saída para Caarapó e lá a advogada recebeu quatro cheques, cada um de 50 mil, mas as ameaças não paravam.

Neste dia 2 o encontro durou das 13 as 17 horas.

Na sexta-feira, dia 3 passado, eles marcaram novo encontro para trocar o cheque.

As 16h30 marcaram o encontro e no final da manhã, Laércio Padoin procurou a DEFRON e comunicou o fato ao delegado João Alves de Queiroz sobre o episódio.

O policial orientou Laércio Padoin a ir ao encontro.

Novamente o encontro foi na casa do retiro, e no momento em que eles conversavam, a polícia chegou e deu voz de prisão à advogada.

Com os cheques em mãos, a advogada foi levada a DEFRON e a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) seccional de Dourados foi comunicada, e enviou dois representantes que acompanharam a prisão em flagrante da mulher.

Em depoimento ela alegou que esse dinheiro seria de honorário dela, referentes dos trabalhos que fez para o pai de Laércio Padoin, Euzevir Padoin.

Ela foi presa, e segundo a nota a advogada já possuía um B.O (Boletim de Ocorrência) a seu desfavor por crime de ameaça que havia sido registrado pela mãe de Laércio Padoin.

A advogada foi levada para o presídio feminino de Jateí depois de concluída a lavratura do flagrante contra ela.

* O autor é jornalista e membro do Sindicato dos Jornalistas da Grande Dourados