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Opinião

ARQUIVO MORTO!? Há um ano empresário era executado na frente do portão de sua residência

26 de abril 2012 - 17h33 Por Waldemar Gonçalves - Russo
ARQUIVO MORTO!?  Há um ano empresário era executado na frente do portão de sua residência

Russo Em Dourados, quando o relógio marcar 18h10 vai completar com precisão um ano que o empresário do ramo cerealista, Euzevir Padoim, que tinha 60 anos, foi executado na porta de sua residência, e pasmem, a autoria do crime bem como o suposto mandante não foi identificado pela polícia.

No crime que chocou em especial os familiares, bem como os seus amigos, o empresário que residia na rua Olinda Pires de Almeida com a Hayel Bom Faker, na Vila São Luiz, próximo ao Parque dos Ipês, em Dourados, foi surpreendido pelo seu algoz quando ele ainda estava no interior de seu veículo, um Corola com placas HTH-1818, de Dourados.

Cem dias após o crime, relatei em um artigo que a execução do empresário aconteceu com as mesmas características de outros que ocorreram na cidade, ou seja, pistolagem, e até hoje ninguém por parte da sociedade na qual ele convivia, a família em especial, obtiveram resposta, principalmente sobre os motivos de tamanha covardia por parte do autor e muito mais ainda, do suposto mandante.

Com isso, passado agora um ano, o caso “Elzevir Padoim” como foi denominado pela imprensa, literalmente entrou para o arquivo morto da Polícia Civil, disso não tenho nenhuma duvida.

Como escrevi no dia 27 de abril, - e quem leu lembra-se do meu ponto de vista - um dia depois do assassinato do empresário  disse que o caso iria, assim como outros que aconteceram com características de pistolagem registrados na cidade, dar em nada, e cair no esquecimento.

Na oportunidade em que elaborei o artigo, muitos acreditavam que estava sendo, digamos assim, pessimista demais ou que não acreditava mais na “competência” da falida Polícia Civil douradense, e isso é sim, a mais pura da verdade.

Relembrando sobre a morte estúpida do empresário, ocorrida na tarde do dia 26 de abril do ano passado, assegurei que estava há pouco mais de três anos afastado das funções de repórter policial - graças a Deus - após atuar na área pouco mais de 20 anos, e sempre arrumando inimigos e processos por causa desta desgraçada profissão.

Lembrei que havia jurado que jamais iria falar jornalisticamente sobre esta área podre, pífia e infame, aonde a sociedade que se diz organizada, é impotente e omissa, pra não dizer, conivente com o sistema, que inunda a nossa querida cidade somente com fatos que infelizmente denigrem a imagem dela.

Ainda naquele artigo, afirmei que é nojento quando se ouve a notícia - ou se lê - através da imprensa local, quando os repórteres dizem que “o corpo do fulano, vítima da violência, foi encaminhado ao IML (Instituto Médico Legal) para ser submetido à necropsia”, quando na verdade, é sabido de que a nossa cidade há mais de 20 anos não possui este importante núcleo, e que neste tempo todo, a polícia sempre dependeu - e depende ainda - do necrotério de uma empresa funerária, que claro, sempre leva vantagem em tudo, desde o de vender as urnas mortuárias, ao embutimento do uso da sala de preparação dos “presuntos” e nos custos das despesas para as famílias pagarem ao olho da cara, para enviar os seus entes queridos dignamente para a última morada.

Disse também no artigo que é nojento quando se ouve - ou se lê - na imprensa local de que “a Polícia Civil abriu inquérito para apurar a suposta autoria e possível mandante do crime” quando na verdade é fato de que ela, a Polícia Civil, que é responsável pelas investigações, não investigará porra nenhuma, como estará sendo confirmado no final da tarde de hoje no caso do empresário assassinado quando chegava em sua residência.

No artigo também me lembrei de casos como os que vitimaram advogados trabalhistas, como a do Divino Mandele; o caso da insânia covardia que fizeram com a pioneira Magdalena Câmara, que foi morta a paulada dentro de sua casa; da execução sumaria do empresário Eutímio Sepulvida e de seu filho, Fabrício Sepulvida, o “Pacová”, que também foi morto covardemente por pistoleiros; do Zé Morais; dos corretores “Zeca e Gordinho” que misteriosamente sumiram; do líder comunitário José Eduardo Estolano, o “Perequeté”, caso este ocorrido no longínquo Distrito de Itahum, que também se escafedeu no início da década de 90 e até hoje nada do caso ter sido esclarecido; tem o caso do pecuarista José Teles, que assim como o de Elzevir Padoim, foi morto numa tocaia por volta das 6 horas da manhã no portão da garagem de sua casa, que hoje abriga a famosa franquia da “Cachaçaria”; do “Baé”, que foi morto em plena luz do dia nas imediações da lanchonete A Moreninha, no Água Boa, além de outros que caíram também no esquecimento.

Estes casos entre outros caíram no esquecimento graças à impotência do setor de investigação da polícia, em especial da Civil, que volto a repetir, está há mais de 25 anos falida em nossa cidade.

PAPAI NOEL E OUTROS

Na oportunidade também disse no artigo que quando se diz que a Polícia Civil através da Delegacia Regional tem um IML (Instituto Médico Legal) à disposição dos médicos legistas; um núcleo de perícia funcional e principalmente a de que o 1º e o 2º DP (Distrito Policial) com os seus respectivos delegados, escrivães e agentes estariam - ou está investigando - um crime contra a vida, acordam e esqueçam, pois tudo isso é uma utopia, uma mentira das brabas e seria a mesma coisa que acreditarmos em Papai Noel; Duende; nos contos de fadas como o de Branca de Neve e seus 7 anões, Gepeto e seu “Pinóquio”, este último sim, um personagem mentiroso, mas um clássico da literatura infanto/juvenil,  entre outras fabulas das estórias infantis.

O fato triste desta ausência de um IML digno para que os médicos legistas e seus auxiliares possam trabalhar, é que os nossos governantes, em especial, os nossos representantes tanto da Assembleia Legislativa como da Câmara Federal e do Senado da República e os secretários que por lá passaram e o atual, nada fizeram - e nem fazem - para mudar este triste curso da história, que seria a implantação desta importante instituição para atender a nossa comunidade.

Assim, como relação à execução sumária de Elzevir Padoim, na qual o delegado - que não o conheço - que atendeu os levantamentos no local dos fatos, disse à imprensa que a ação criminosa em si “teve todas as características de ser cometido por um pistoleiro profissional”, o policial no meu ponto de vista “descobriu o Brasil”, pois pela forma como o crime aconteceu, estava mais do que na cara, que a pessoa - ou seria um covarde - foi sim, com claro objetivo de mandar o empresário para o outro lado da vida.

Neste caso, melhor seria se o delegado nada declarasse a imprensa, e o pior, assim como os demais colegas de sua profissão, voltou a falar a celebre frase que “a Polícia Civil iria instaurar um inquérito para apurar os fatos”, o que com certeza volto a repetir, não investigou - ou não investigaram - porra nenhuma, pois conheço - e muito - bem a fragilidade desta polícia em todos os sentidos, embora esteja já há quase três anos, graças a Deus como eu disse, afastado desta área jornalística.

Esclarecer crimes nas pontas de vilas é uma barbada, agora, casos como os de acima citados, é outra coisa, isso não tenho nenhuma duvida, pois com certeza, os delegados, em especial os policiais mexeriam com caixas de marimbondos entre outros bichos venenosos caso assim o fizessem.

Com isso, não tem duvida alguma de que o assassinato do Elzevir Padoim foi sim, parar no arquivo morto da Polícia Civil como os demais que já ocorreram na cidade, em especial os acima citados que já caíram no esquecimento, e não adianta conversar com o delegado que está presidindo o IP (Inquérito Policial) sobre a morte dele, porque ele, o policial, virá com a “manjada” e “esfarrapada” desculpa de que “solicitou prazo ao Fórum para dar continuidade nas investigações”; de que “já ouviu diversas testemunhas sobre o caso”, e de que a “polícia tem uma pista sobre quem matou e quem principalmente mandou fazer o empresário, porém, o caso está sob sigilo da justiça” entre outros argumentos mentirosos.

O certo volto a repetir, é que o assassinato do Elzevir Padoim foi sim, parar no arquivo morto da Polícia Civil assim que foi registrada a sua morte, e ponto final.

IMPUNIDADE

Voltando ao primeiro e contestado artigo por alguns idiotas que asseguram que eu não sei o que estava escrevendo, disse na oportunidade, que outro fator que favorece tanto os supostos mandantes dos crimes como os pistoleiros, é sem dúvida alguma, a ausência da também frágil tal da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) por meio da sua famigerada Comissão dos Direitos Humanos, que inclusive, nos casos que envolveram seus membros, a tudo assistiram - e assistem - os banhos de sangue correndo na cidade, vitimando pessoas e destruindo famílias inteiras.

O Poder Judiciário por sua vez pouca coisa ou nada poder fazer, pois entendemos que ele depende da força do também tal MPE (Ministério Público Estadual), porém este órgão como a Polícia Civil e a própria OAB é frágil, com um grupo de representantes do Ministério Público que faz de conta que fiscaliza, mas que na verdade, está naquela do “faz de conta que estariam acompanhando os fatos e o Estado paga para que eles possam fazer este medíocre papel” e por ai vai.

Disse na ocasião de que se vê a bem da verdade desde os tempos que iniciei minha trajetória na área policial, uma falência total dos organismos responsáveis por denunciar e coibir estes tipos de crimes hediondos que somente assustam e enlameiam o nome de nossa cidade.

Entendo que isso se deve também a responsabilidade da nossa imprensa, que acuada ou até mesmo comprometida ou mancomunada com o sistema, teimam em não denunciar que a DRPC (Delegacia Regional de Polícia Civil) está há anos falida, com os delegados antigos e os agentes da velha guarda - pra não dizer velhos - não vendo a hora de ir para suas casas para vestir os pijamas, enquanto os novatos estão somente na “casa” pensando em terminar as suas faculdades.

Hoje são poucos os verdadeiros policiais que querem trabalhar em favor da comunidade, e isso se deve por muitos temerem punições ou exclusões, e que se foda o povo, que se foda a segurança daquele cidadão de bem que paga em dia os seus impostos e cumprem os seus deveres, pois repito, já se passaram um ano da morte do empresário e nada da Polícia Civil ter dado uma resposta para a sociedade, em especial para os seus familiares, de quem teria sido o autor do crime e principalmente o mandante.

É também sabido de que os mandantes e os autores destes “modos operantes” de crimes apostam na impunidade, na fragilidade da nossa polícia investigativa, e com certeza, sempre estarão ganhando, pois sabem também que não serão molestados pelas “supostas investigações policiais que tanto a imprensa promete que vai haver” a não ser que um “milagre” por parte de nossa sociedade organizada como os Rotarys; Maçonaria; Lions; entidades representativas como as associações de bairros; do comércio; dirigentes lojistas entre outros, cobrem de nossos governantes, uma verdadeira e ampla reformulação nesta nossa policia investigativa, esta é a mais pura verdade, nada mais do que a verdade.

A Polícia Civil de Dourados, diga-se de passagem, no meu ponto de vista está tão falida, tão quebrada, que nem “alcagüete” ou “dedo duro” como se diz no linguajar da malandragem, têm, e pelo que eu saiba polícia sem “informante” anda numa esteira, ou seja, não vai a lugar nenhum, essa é a verdade.

Quando deste artigo, disse publicamente, que “caso o assassinato deste empresário fosse esclarecido pela Polícia Civil douradense, com certeza Jesus Cristo faria a barba com gilete G-2 e pelo jeito, o “homem de Nazaré” vai continuar barbudo”, esta é a pura verdade.

Na oportunidade disse, parei e fui, mas vou rezar para que o pistoleiro e seu “patrão” não descubram o endereço do portão de minha casa, caso contrário, também estarei morto como o empresário...fui !!!

Waldemar Gonçalves, o Russo, é jornalista e membro do Sinjorgran (Sindicato dos Jornalistas da Grande Dourados)