Foi se o tempo em que o fio de bigode valia uma verdade e era respeitado. Atualmente em pleno século XXI, era da informática e das facilidades virtuais, sujar o nome de uma pessoa honrada ficou fácil demais. Agora, imagine só ter seu nome jogado na lama, na lata do lixo sem que você deva um único centavo de Real. Quando o nome cai num tal de SERASA e num tal SPC, sem dever nada, confesso é muito constrangedor. Não critico essas instituições do mercado e nem defendo “nó cego” mal pagador, muito pelo contrário deveu tem que pagar.
Agora, pense comigo. Você, muito numa boa, alto astral, adentra a uma loja para comprar um objeto em várias prestações. Conversa com o vendedor, escolhe o produto, divide o valor em prestações, apresenta seus documentos, praticamente o negócio está fechado, porém antes de encaminhar para a gerência aprovar, o vendedor com o número do seu CPF faz a consulta no computador e te diz “não podemos fechar a compra, seu nome está negativado no SERASA”. Confesso amigo, você não sabe onde enfiar a cara.
O que fazer num caso semelhante a esse? Se você deve, pague a conta e limpe seu nome. Agora, se você não deve, não tem o que pagar. No caso de não dever, o constrangimento continua, por que não é fácil tirar seu nome do SERASA e SPC. Além de ser difícil tirar o nome desses órgãos, quando seu nome vai parar neles, você passa a enfrentar outras dificuldades, inclusive em instituições financeiras, onde você mantém conta para receber salário.
Convido você leitor, outra vez, a pensar comigo. Ao chegar à sua casa, depois de um dia de trabalho, encontra uma carta do seu banco, convidando para comparecer na agência para renovar seu contrato, chegando lá apresenta os documentos exigidos e fica sabendo que a partir daquele dia você não tem mais limite. Então procura saber da atendente, os motivos. E ela calmamente avisa, seu nome está negativado no SERASA. A sua volta tem um monte de gente aguardando atendimento e, claro, alguns ouvirão a resposta. Novamente você não tem onde enfiar a cara, tamanha a vergonha.
É caro leitor, isso é possível acontecer. No final do ano de 2007 recebi na escola onde trabalho a visita de uma funcionária de uma instituição financeira oferecendo empréstimo consignado. É aquele empréstimo que a mensalidade é descontada direto na fonte pagadora, no meu caso o Governo do Estado, naquela época era diferente de hoje, você podia pegar empréstimo no banco que te oferecesse o juro mais vantajoso. Achei que valia a pena peguei o dinheiro e saldei minhas dívidas, ficando devendo em apenas uma instituição. Em janeiro deste ano, após 48 meses (de mensalidades ininterruptas), terminei de pagar o tal consignado. Senti-me aliviado e agradeci muito, afinal o dinheiro foi utilizado para reformar o imóvel onde resido.
Para minha surpresa o dinheiro descontado sagradamente de meu salário todo mês, pelo jeito, não chegou até o banco. Passados alguns meses que havia quitado a dívida, recebi uma ligação informando que estava devendo no banco. Informei a atendente, é um engano, já está quitado. Depois desse dia recebi inúmeras ligações do banco cobrando a dívida e sempre informava que não devia nada para a instituição. Quanta ignorância e desinformação, está tudo pago, disse a mim mesmo. Fiquei um pouco preocupado no dia em que recebi uma carta ameaçadora do banco dizendo: “Lembramos que, na hipótese de não regularização, poderá ocasionar o cancelamento dos limites de crédito mantidos juntos as empresas integrantes do Grupo... e a inclusão de seu nome/CPF nos órgãos de proteção ao crédito (SPC e SERASA)...”.
Quanta humilhação. A partir daí que senti o drama da dificuldade para provar que havia quitado a dívida. Busquei meus holerites um a um, tudo quitado. Daí tive a informação que não era prova. Onde então está a prova? No Econsig, órgão por onde credor e devedor verificam se a prestação está sendo descontada do servidor. Entrar no tal Econsig é outra dificuldade. Tive que fazer um ofício, reconhecer assinatura em cartório (pagar) e enviar por fax para o Governo do Estado para liberar a senha. Só aí pude confirmar que não devia nada, mas meu nome continuava e continua “sujo”.
Meu amigo, limpar o nome na praça quando você não deve é mais difícil do que quando você deve. Sem limite na conta bancária, sem poder comprar nada a prazo nas lojas e com o nome “sujo”, confesso, é muito constrangedor. Nesse caso, depois de muitas idas e vindas, cheguei à seguinte conclusão: sem contratar o serviço de um advogado fica quase impossível tirar o nome desses órgãos e voltar a ter crédito no comércio. A você que tem empréstimo consignado sugiro um acompanhamento criterioso para não ter “dor de cabeça” após a quitação do débito.
* O autor é professor da rede estadual de ensino de MS. E-mail: [email protected]