O Brasil passou por um grande fiasco nas Olimpíadas de Londres e corre o risco de passar vergonha nas Olimpíadas do Rio de Janeiro em 2016. O desempenho do Brasil ficou muito aquém do desejado por uma nação de cerca de 200 milhões de habitantes e que está classificado entre as dez maiores economias do mundo. 03 (três) medalhas de ouro foi muito pouco para tanta badalação promovida por setores da mídia nacional.
Por que nosso desempenho nas olimpíadas tem sido fraco? A resposta a esta pergunta talvez esteja na falta de compromisso das autoridades com o esporte amador e, principalmente, com a educação básica de qualidade. Até porque não dá para desvincular o sucesso do esporte com educação de qualidade. E isso requer projeto, investimento, seriedade e compromisso.
Com o atual sistema de ensino, especialmente o público, não conseguiremos disputar o pódio em condições de igualdade nem com os emergentes, imaginem com os de primeiro mundo. O Brasil precisa acordar, ainda há tempo. O país precisa investir na educação básica, é na escola que se descobre talento na natação, ginástica, atletismo, nas artes plásticas, enfim em todos os segmentos das artes, do esporte e da ciência.
Agora, como preparar um talento com uma educação de meio período, com professores desestimulados por salários irrisórios, abarrotados de atividades e planejamentos e ainda sem cursos de qualificação. Como cobrar do aluno, que muitas vezes, vem para escola forçado pelos pais e frequentam instituições com condições mínimas de ensino. Por exemplo: quantas escolas públicas de Mato Grosso do Sul possuem piscinas e pistas de atletismo adequadas para treinamentos? Dificilmente apresentaremos resultados satisfatórios com esse modelo de ensino ultrapassado e medíocre. Os países que apresentam resultados satisfatórios no esporte oferecem educação integral e de qualidade para seus filhos.
As Olimpíadas de Londres e as anteriores, Pequim, Atenas, Sydney e Atlanta, para ficar só nessas, mostraram para o Brasil que não estamos no caminho certo. È só olhar atentamente para o quadro de medalhas. Agora em Londres perdemos em ouro até para Cuba Irã e Coreia do Norte. Países batizados de “eixo do mal” por um ex presidente dos Estados Unidos e muito bem assimilado por setores da mídia brasileira quando se referem a esses países.
Acredito que seria importante o Brasil se espelhar na Grã-Bretanha em organização e investimentos no esporte. Deram um show em Londres nos dois quesitos. A Grã-Bretanha foi um vexame nas Olimpíadas de Atlanta em 1996 com apenas uma medalha de ouro, contra três medalhas de ouro conquistadas pelo Brasil. A partir daquela Olimpíada o país acordou e passou a investir com seriedade no esporte e os resultados positivos vieram automaticamente.
No ano de 2000, nas Olimpíadas de Sydney, a Grã-Bretanha conquistou 11 medalhas de ouro e o Brasil nenhuma. Em Atenas 2004, a Grã-Bretanha conquistou 09 medalhas de ouro, contra 05 conquistadas pelo Brasil. Nas Olimpíadas de Pequim, em 2008, o país da rainha levou 19 ouro e nós do Brasil só conseguimos 03 ouro. Agora em Londres foi um verdadeiro show, os britânicos ficaram com 29 medalhas de ouro e o Brasil com apenas 03. Eles classificados em 3º lugar e nós em 22º.
Não podemos jogar apenas no negativo, temos também que valorizar nossos atletas, que muitas vezes, fazem da “tripa coração” para competir e conquistam medalhas de prata e bronze. Agora, não podemos aceitar moagens e badalações promovidas por autoridade e setores da mídia. O momento é de reflexão. O que queremos em 2016 nas Olimpíadas do Rio de Janeiro? Nosso projeto visa quantas medalhas? O que fazer para atingir o objetivo? Ou tomamos uma atitude agora, ou passaremos por outro vexame daqui a quatro anos.
* O autor é professor da rede estadual de ensino de MS. E-mail: [email protected]