Para o milho safrinha recomenda-se a escolham de áreas de boa fertilidade ou corrigidas, com teores de fósforo, potássio e micronutrientes entre adequados e altos. Nessas condições, não se esperam respostas positivas ao incremento da adubação com esses nutrientes. A adubação é de reposição, definida pela expectativa de produtividade e extração da cultura.
Com relação ao nitrogênio é que as dúvidas são mais frequentes. Em anos anteriores, os resultados da Fundação MS demonstravam que, após a soja, doses em torno de 30 a 40 kg de N ha-1 no sulco de plantio seriam suficientes para produções entre 80 e 100 sacos de milho ha-1. Ou seja, dos 120 a 150 kg de N extraídos pela cultura, aproximadamente 100 kg ha-1 viriam dos restos culturais da soja e da matéria orgânica do solo, sendo o restante colocado como fertilizantes.
+ Veja a cotação do milho na Rural Centro
Mais recentemente, com a tendência de antecipação do plantio e híbridos de milho de alto investimento, novos patamares de resposta podem ser esperados em relação ao nitrogênio. Nessas condições, a produtividade pode subir para 120 ou 130 sacos ha-1, exigindo a complementação das adubações. A tendência de redução do espaçamento de 90 para 50 cm permite aumentar a dose de N na base sem colocar em risco a germinação por efeito salino, pois a quantidade de adubo por metro linear diminui para uma mesma dose de N em kg ha-1. Porém, a operacionalidade do plantio pode ser prejudicada pela necessidade constante de reabastecimento das caixas de adubo.
A adubação de cobertura do milho surge como uma alternativa, sendo recomendada entre os estágios de V2 e V3, para que a planta tenha N disponível na fase de definição de seu potencial produtivo, que ocorre até V6 ou V8. A dose deve variar com a expectativa de produtividade. Por exemplo, para uma expectativa de 120 sacos ha-1, seriam necessários mais 40 kg de N ha-1 em cobertura.
A fonte e as condições de aplicação de adubo são de fundamental importância. A ureia tem alta susceptibilidade à volatilização quando há umidade no solo e elevadas temperaturas, sendo recomendada a sua utilização a lanço somente quando se tiver previsões de chuva. Para se evitar perdas, deve-se dar preferência para fontes contendo sulfato de amônio, formas nítricas ou ureias protegidas.
O milho safrinha com plantio antecipado tem um menor risco climático e pode aumentar os patamares de produtividade. As estratégias de manejo da adubação nitrogenada devem ser revisadas a fim de se adaptarem a essa nova realidade. Além disso, outros elementos exigirão uma reflexão na tomada de decisão do produtor rural, tais como os conceitos de adubação de sistemas, a fixação biológica de nitrogênio e o consórcio com forrageiras. Entretanto, esses serão assuntos que discutiremos em outra oportunidade em nossa coluna. Até breve!
* Os autores são engenheiro agrônomo (UFV, 2005), mestre em ciência do solo (UFLA, 1997) e doutor emenvironmental sciences (Wageningen University And Research Centre, 2002)e ainda atua como diretor executivo e pesquisador no setor Fertilidade do Solo na Fundação MS; e engenheira agrônoma (UFGD, 2009), pós-graduada em aperfeiçoamento em andamento em aluno especial de mestrado (UFGD, 2011) e é, ainda, pesquisadora do setor Fertilidade do Solo da Fundação MS.