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Opinião

ARTIGO: Adubação nitrogenada em milho safrinha: na base ou em cobertura?

25 de março 2013 - 22h01 Por Renato Roscoe e Renata Azambuja da Silva Miranda
ARTIGO: Adubação nitrogenada em milho safrinha: na base ou em cobertura?
Com o avanço do plantio do milho safrinha em boa parte do Centro-Oeste do Brasil, sempre surgem dúvidas quanto aos diversos aspectos ligados ao manejo da cultura. Com relação à nutrição das plantas, visto que a safrinha é uma cultura de risco, quanto investir em adubação? Qual a forma e época ideal de aplicação? Além disso, o que muda com espaçamentos de 50 cm entre fileiras ou com a antecipação do plantio?

Para o milho safrinha recomenda-se a escolham de áreas de boa fertilidade ou corrigidas, com teores de fósforo, potássio e micronutrientes entre adequados e altos. Nessas condições, não se esperam respostas positivas ao incremento da adubação com esses nutrientes. A adubação é de reposição, definida pela expectativa de produtividade e extração da cultura.

Com relação ao nitrogênio é que as dúvidas são mais frequentes. Em anos anteriores, os resultados da Fundação MS demonstravam que, após a soja, doses em torno de 30 a 40 kg de N ha-1 no sulco de plantio seriam suficientes para produções entre 80 e 100 sacos de milho ha-1. Ou seja, dos 120 a 150 kg de N extraídos pela cultura, aproximadamente 100 kg ha-1 viriam dos restos culturais da soja e da matéria orgânica do solo, sendo o restante colocado como fertilizantes.

Veja a cotação do milho na Rural Centro

Mais recentemente, com a tendência de antecipação do plantio e híbridos de milho de alto investimento, novos patamares de resposta podem ser esperados em relação ao nitrogênio. Nessas condições, a produtividade pode subir para 120 ou 130 sacos ha-1, exigindo a complementação das adubações. A tendência de redução do espaçamento de 90 para 50 cm permite aumentar a dose de N na base sem colocar em risco a germinação por efeito salino, pois a quantidade de adubo por metro linear diminui para uma mesma dose de N em kg ha-1. Porém, a operacionalidade do plantio pode ser prejudicada pela necessidade constante de reabastecimento das caixas de adubo.

adubação de cobertura do milho surge como uma alternativa, sendo recomendada entre os estágios de V2 e V3, para que a planta tenha N disponível na fase de definição de seu potencial produtivo, que ocorre até V6 ou V8. A dose deve variar com a expectativa de produtividade. Por exemplo, para uma expectativa de 120 sacos ha-1, seriam necessários mais 40 kg de N ha-1 em cobertura.

A fonte e as condições de aplicação de adubo são de fundamental importância. A ureia tem alta susceptibilidade à volatilização quando há umidade no solo e elevadas temperaturas, sendo recomendada a sua utilização a lanço somente quando se tiver previsões de chuva. Para se evitar perdas, deve-se dar preferência para fontes contendo sulfato de amônio, formas nítricas ou ureias protegidas.

O milho safrinha com plantio antecipado tem um menor risco climático e pode aumentar os patamares de produtividade. As estratégias de manejo da adubação nitrogenada devem ser revisadas a fim de se adaptarem a essa nova realidade. Além disso, outros elementos exigirão uma reflexão na tomada de decisão do produtor rural, tais como os conceitos de adubação de sistemas, a fixação biológica de nitrogênio e o consórcio com forrageiras. Entretanto, esses serão assuntos que discutiremos em outra oportunidade em nossa coluna. Até breve!

* Os autores são engenheiro agrônomo (UFV, 2005), mestre em ciência do solo (UFLA, 1997) e doutor emenvironmental sciences (Wageningen University And Research Centre, 2002)e ainda atua como diretor executivo e pesquisador no setor Fertilidade do Solo na Fundação MS; e engenheira agrônoma (UFGD, 2009), pós-graduada em aperfeiçoamento em andamento em aluno especial de mestrado (UFGD, 2011) e é, ainda, pesquisadora do setor Fertilidade do Solo da Fundação MS.