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OPINIÃO: O triste fim dos aguaís floridos da Marcelino Pires

16 de abril 2013 - 19h49 Por Ribeiro Arce
OPINIÃO: O triste fim dos aguaís floridos da Marcelino Pires

Há algum tempo venho planejando escrever uma crônica sobre os aguaís floridos do prolongamento da avenida Marcelino Pires nas proximidades do Monumento ao Colono, na cidade de Dourados. Nas minhas caminhadas diárias de final de tarde admirava aquelas árvores frondosas carregadas de flores amarela, crescendo no canteiro central daquela via pública, apesar dos inúmeros empecilhos.

Como se sabe o prolongamento da Marcelino Pires, na chamada ciclo faixa, é utilizado diariamente por centenas de transeuntes, especialmente, ciclistas e caminhantes. No amanhecer e final de tarde é grande o número de pessoas que praticam caminhadas no local. Confesso que caminhar ali não é coisa fácil. O movimento de veículos automotores é intenso e o perigo é sempre iminente.

Além disso, há o monóxido de carbono expelido pelos veículos, gás venenoso respirado pelos transeuntes. Sem falar nas condições de abandono dos canteiros centrais das ciclo faixas, lixo é comum e até animais mortos são encontrados com frequência no local. Mas como a região não oferece opções para a população da região se exercitar, o jeito é arriscar nas ciclo faixas.

Vale lembrar que tem sido comum o prefeito assumir a administração da cidade e tomar medidas, apenas paliativas, para os canteiros centrais na região do Monumento. O ex-prefeito Tetila promoveu uma grande “moagem”, com apoio de empresas privadas, para plantar algumas dezenas de mudas de espécies nativas regionais, não cuidou e a maioria delas morreu, restaram apenas alguns ipês que teimam em sobreviver enfrentando formigas, falta de água e adubação.

No inicio da administração Artuzi, a prefeitura plantou inúmeras mudas de mangueiras nos canteiros centrais, por falta de trato não salvou uma única sequer. Já o atual prefeito optou pelo plantio de palmeiras imperiais, plantou mais de cem mudas, à época colocou até faixas para comemorar o “grande” feito. Imitando seus ex-colegas, também não cuidou e muitas já morreram, as sobreviventes lutam bravamente contra as adversidades naturais e o descaso da administração pública.

Apesar de tudo, caminhar nas ciclo faixas ainda é uma opção, até certo ponto agradável. No percurso os caminhantes encontram os amigos, acompanham as mudanças com o surgimento de novas empresas e apreciam as árvores de várias espécies que ainda resistem ao longo dos 30 anos de duplicação do prolongamento da Marcelino Pires e que fornecem sombra para pedestres e ciclistas.

E os aguaís? Bom, os aguaís estavam floridos e já sombreavam as ciclo faixas. Digo sombreavam, porque agora não sombreiam mais, foram cortados literalmente, rente ao solo, pela prefeitura. Foram mais de 50 pés de aguaís destruídos, apenas no canteiro central em frente à torrefadora de café, cortaram 17 pés. Esse crime ambiental cometido pela prefeitura deixa entristecidos os transeuntes que apreciam a natureza e que desfrutam da sombra das árvores ao passarem pela ciclo faixa.

Agora, a pergunta que não quer calar. Por que a prefeitura cortou os aguaís e outras espécies do canteiro central no prolongamento da Marcelino Pires? Outro questionamento: teria o executivo municipal, algum projeto que contemple o plantio de espécies vegetais arbóreas na região? Caro leitor, sempre é bom lembrar que os aguaís não nasceram lá por acaso e nem foram plantados pela prefeitura.

* O autor é professor da Rede Estadual de Ensino de MS. E-mail: [email protected]